A arte de rir de si mesmo

Tinha um comercial passando na TV, não sei se ainda está no ar, com o ex-jogador Túlio Maravilha, do Botafogo. Uma bela sacada da Volkswagen e da AlmapBBDO. A ideia era ajudar Túlio a chegar ao milésimo gol, e a propaganda pegava no pé do fato de o jogador ter feito um inesquecível gol de mão contra a Argentina. O próprio Túlio emcampava total a história, tirando o maior sarro de si mesmo.

Domingo passado, vi um comercial com a mesma história do protagonista tirando uma onda de si próprio. No caso, o modelo Ricardo Macchi (o eterno cigano Igor). Ele aparece fazendo propaganda também de um modelo de carro, o Cinquecento da Fiat, ao lado do premiadíssimo ator norte-americano Dustin Hoffman, considerado um dos melhores do mundo. O slogan: “Para ser um atorzão não precisa ser grande. Nem para ser um carrão”.

Há mais tempo, estreou outra propaganda que mostra um ladrão furtando um carro. Quando entra no automóvel, surpresa. No banco de trás Byafra começa a cantar Sonho de Ícaro, aquela música que diz Voar, Voar/Subir, Subir. O ladrão sai com o carro, mas não consegue andar nem meio quarteirão. Freia no meio da rua e desiste de levar o veículo. Em seguida uma voz em off diz: “Vai que seu carro não vem com o Byafra cantando…”

Ontem, estava lá eu, na fila do supermercado, com a minha mania de ficar lendo manchetes de revistas de celebridades que ficam expostas, quando topei com uma declaração do cantor Byafra sobre a repercussão do comercial, que não foi pouca: “O problema das pessoas é que elas se levam a sério demais”.

Taí! Todas as três propagandas rebatem justamente esse defeito de fabricação do ser humano: se levar a sério demais. Por isso, eu dou meus parabéns para Tulio Maravilha, Ricardo Macchi e Byafra. Todos souberam rir de si mesmos.

E o melhor: ganharam uns bons trocados com isso.

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Mari Kalil

Mari Kalil

Jornalista e escritora, Mariana Kalil é diretora de conteúdo do site MK e colunista do programa Band Mulher e da rádio Band News FM. É também autora dos livros "Peregrina de Araque (2011), "Vida Peregrina (2013) e "Tudo tem uma Primeira Vez" (2015), todos publicados pela editora Dublinense. Trabalhou das redações das revistas Época e IstoÉ Gente, dos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil e foi correspondente da BBC na Espanha, onde cursou pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona.

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  • Muito havia ouvido falar de que filhos de nossas irmãs são nossos filhos também. Mas a teoria sempre só faz sentido quando a realidade se confirma. Quando João Benício nasceu, me tornei tia – e ser tia é o maior presente que um irmão e uma irmã podem nos dar. Ser tia é descobrir a maternidade de outra forma, é descobrir um amor que não sabíamos que existia. Quando me tornei tia, passei a enxergar as crianças sob outra ótica, com mais ternura e paciência. Passei a entender também a falta de paciência das mães em muitos momentos. Quando me tornei tia, passei a sentir mais saudade, passei a beijar e a abraçar mais. Passei a me preocupar mais com a humanidade, com o futuro, com o legado das pessoas e das coisas. Quando João nasceu, me tornei um ser humano melhor. Ser tia é amar profundamente uma pessoa que parece ter saído de dentro de nós. É encontrar tempo onde antes só havia falta de tempo. É segurar no colo, é não sentir dor no braço, é aguentar sem reclamar a dor nas costas. É deixar a garrafa de vinho e o Netflix de lado numa sexta-feira à noite para deitar ao lado de quem insiste em se manter acordado. Tias também são mães, são capazes de amar como mães. Tias são a segurança das mães de que, em qualquer ausência delas, amor é o que jamais faltará. Porto Alegre, agosto de 2015. #joãobenicio #amordatia #amordadinda
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