As lembranças que um quibe cru me traz

Sábado passado, fomos comer quibe cru na casa dos meus pais. Quibe cru é uma máxima na nossa família descendente de libaneses. Eu como quibe cru desde que me conheço por gente, feito caseiramente pela minha querida e finada Tia Julieta, em Bagé. Tia Julieta colocava o trigo para secar no sol, nos fundos da casa, de um dia para o outro. Fazia um quibe sequinho e espetacular que nunca mais comi igual, nem na minha aventura de peregrinação religiosa que resultou no meu primeiro livro, Peregrina de Araque.

peregrina-280OI, BONITÃO!

Minha mãe tratou de anotar a receita com a Tia Julieta e ensinou a Sueli a fazer. A Sueli trabalhava na casa dos meus pais e ajudou a nos criar. Hoje ela trabalha na casa da Liu, ou seja, continua ajudando a criar a minha irmã de 34 anos.

03mulher-nova-gritando-feliz-thumb89432486QUER MAMADEIRA, LULU!?

gargalhada CalvinHAHAHAHAHAHAHA!!

Mais do que a delícia de comer, o fato de oferecer quibe cru sempre significou a família reunida em volta da mesa. Como minha mãe de boba não tem nada, comprou uma máquina de fazer quibe cru para dar de presente para o meu pai. Assim sendo, sábado passado, muuuitos anos depois dos quibes na casa da Tia Julieta, minha mãe anunciou:

Labor PainsA SUELI VAI FAZER QUIBE CRU DE ALMOÇO!!

Foi uma correria. Ninguém se atrasou. Quer dizer… Chico, o genro, meu respectivo marido, se atrasou. Por isso, peço descupas pela foto do esplendoroso quibe da Sueli. Foi a parte que nos restou quando ele chegou (sim, eu espero meu marido para comer). Olha!

foto-507OOOOOOOOHHHHHHH!!!!!

O que ele tem de diferente é que é muito menos vermelho que a maioria desses quibes crus de restaurantes árabes. Minha mãe comprou alcatra para fazer o quibe e pediu que a Sueli colocasse bastante trigo – daí a aparência mais escura e mais sequinha. De sobremesa, Lulu tratou de levar a torta de chocolate do Z Café.

foto-506OOOOOOOOHHHHHHH!

Peço desculpas de novo pela foto, mas é que, quando me toquei de registrar, já tinham comido boa parte dela. Essa torta é beeeem geladinha, tem chocolate na borda, o mousse geladinho não é nada doce e é uma das coisas mais incríveis que eu já comi nos últimos tempos.

AlmondegasMAS TEM QUE COMER BEEEEEM GELADINHA

Foi então que percebi como são bacanas esses hábitos que passam de geração para geração. Tia Julieta fazia quibe, minha mãe ensinou a Sueli a fazer quibe, minha sobrinha, Marina, de 4 anos, está comendo o mesmo quibe e agora me dei conta de que está mais do que na hora de eu passar a mão nessa receita.

bento clássicaACHO UMA ÓTIMA IDEIA

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Mari Kalil

Mari Kalil

Jornalista e escritora, Mariana Kalil é diretora de conteúdo do site MK e colunista do programa Band Mulher e da rádio Band News FM. É também autora dos livros "Peregrina de Araque (2011), "Vida Peregrina (2013) e "Tudo tem uma Primeira Vez" (2015), todos publicados pela editora Dublinense. Trabalhou das redações das revistas Época e IstoÉ Gente, dos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil e foi correspondente da BBC na Espanha, onde cursou pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona.

Sem comentários ainda.
  1. Eu amooooooooooo quibe cru! Muitooooooo! Tenho desejos as vezes! Agora vão ter que me convidar um dia pq não conheço esta receita! rsrsrs Beijos Mary!!!

  2. Amamos quibe cru!Minha família curte mtooo!!!MINHA MÃE FAZ O MELHOR QUIBE CRU DO MUNDO!Aprendeu com a mãe do meu pai, agora pensa, ela (minha vó) casou com “Fuad Seadi”, tinha como não aprender a fazer quibe cru??? hehehehehehe lá na casa dos meus pais sempre que tem quibe cru tem tbém: quibe de forno, pão árabe, beringela com tahine, tabule e mjadra!!!Buffet completo!!!bjks

  3. Mariana,
    Nasci e morei em Bagé até os 21 anos e sou descendente de árabes tb. Toda vez que volto pra casa (ainda considero lá a minha casa) nos reunimos para comer quibe crú, assado e muitas iguarias deliciosas que minha avó ainda faz e passou as receitas para mim. Hoje eu cozinho para os amigos e eles amam a minha comida árabe, que farta a mesa, o coração e resgata memórias inigualáveis de infância. Adoro teu blog :)

  4. Bahhhhhh Mariana, antes mesmo de começar a ler, lembrei da tia Julieta e de seus quibes maravilhosos, além é claro de sua “loxinha” na galeria Kalil!!!!!
    Bjsss 1000

  5. Mariana passei aqui só para dizer que ADORO tua coluna, fico aguardando o jornal de domingo ansionsa para abrir a primeira página do caderno Donna. Obrigada por dividir conosco, leitores, tuas experiências e fatos do dia-a-dia, continue assim. Grande abraço, Bianca

  6. Apesar da minha descendência italiana, por parte de mãe, ADORO quibe cru, com muito hortelã e cebola crua bem fininha e azeite. Aprendi a comer essa delícia em Rio Grande, onde a colônia árabe é muito grande, mais especificamente com a família de Abdala Nasser. Saudade daquele tempo … Abraço

  7. Adooooro comida árabe, libanesa, oriental, sou aberta a experiências culinárias e adoro ler essas dicas. Mas, doce Mariana, pelo amor do Divino, a foto dessa tia de blusa laranja de bocão enorme aberto é assustadora, não aguento ver isso!!!! Parece uma dinossaura!!!!! ;)

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  • Toda semana acontece a mesma coisa. Lá por quarta ou quinta-feira, começo a planejar com detalhes a agenda de sábado. Eu amo sábado. Sábado é dia de fazer tudo aquilo que não deu tempo durante a semana. Sábado é dia de não acordar tão cedo, mas também é dia de arranjar tempo para tudo. É dia de ir ao salão, de fazer a mão, alguma hidratação no cabelo. É dia de ir à floricultura, na feirinha de orgânicos da Redenção, de pegar um sol, de ler os jornais sem pressa, de tomar chimarrão… É dia de almoçar tarde, mas para almoçar tarde é preciso tomar café cedo. E como sábado é dia de dormir até um pouco mais, o negócio é pular o café tradicional para almoçar na casa da mãe, ou da sogra, ou ir até o Gambrinus comer um linguado grelhado com caipirinha de limão. Todo sábado de manhã é a mesma coisa: eu me pego estaqueada no meio da sala sem saber pra que lado eu vou. 
Bentolino também.
Feliz sábado de sol pra nós! 🌞❤️🐶