Cachorros não são objetos descartáveis. Dá pra entender ou quer que eu desenhe?

Dei uma desaparecidinha básica na quarta-feira, alguém notou? Não? NÃO? Como assim, não? Vocês não vêm aqui todos os dias religiosamente xeretar o que anda acontecendo com a minha vida? Qual foi o mico em que me meti? Qual foi a última do Xerife, quais foras as puxadas de orelha da Olivia e as novidades da Mana? Vocês não fazem isso? Não acredito.

bento1ELA ACHA QUE É POPULAR

WOMAN-CONFUSED-facebookNÃO SOU?

Ainda que não seja, ainda que esteja completamente enganada ao meu respeito de achar que tenho uma popularidade comparada a de Rihanna, como este blog é meu mesmo – e faço dele o que bem entender -, venho por meio desta dar explicação para porteiro. Sim, sumi na quarta-feira por motivos de trabalho. Não, eu não estava tomando água de coco com o Bento e a Mana no Parcão, infelizmente. Bonito o dia estava para tal. Eu acordei cedo na quarta-feira e desci com a dupla para o passeio matinal. Minha querida amada e amiga Maira (dona de três vira-latas lindos) tinha me avisado que eu mantivesse a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, que logo Bento e Mana se acostumariam um com a presença do outro e se tornariam dois grandes amigos. Na minha ânsia de querer que tudo logo se resolvesse, andava sofrendo feito peru que morre de véspera. Mas a Maira tinha razão e, passadas quase duas semanas da adoção da Mana, é lindo ver a parceria dos dois.

Olha!

11887275_1548092012099598_1456812129_nDUPLA DINÂMICA
Momento em que chegamos do passeio na quarta-feira de sol. Me perguntam se eu adotei a Mana e, dia desses, saiu uma frase da minha boca sem pensar. Falei: “Na verdade, foi ela que me adotou”. E é verdade. Parece que fui a dona dela da vida inteira.

Não consigo entender o que faz com que uma pessoa pegue um animalzinho e descarte na rua feito lixo. Custo a acreditar que isso aconteceu com a Mana. Ainda penso se, um dia, não aparecerá a dona dela de verdade, desesperada por tê-la perdido. Mas já me disseram que não. Na SEDA, onde ela foi deixada por uma senhora que a encontrou vagando na rua, me disseram que, muito provavelmente, ela foi descartada em função de uma doença chamada sarna demodécica. Trata-se de uma doença comum em cães, facilmente tratada – mas nunca por gente sem coração, gente que adquire um animal sem pensar se realmente tem preparo financeiro e emocional para entender que está lidando com um ser vivo, um ser que tem coração, um ser que sente dor – e não com um pedaço sujo de papel higiênico que pode ser jogado porta afora de casa.

olivia10GENTE ESCROTA

Me disseram também que é muito comum as pessoas comprarem cachorrinhos “de grife” e, no primeiro sinal de adversidade na relação, jogar na rua com a certeza de que, como é “de grife”, será resgatado por alguma boa alma compadecida. Que dó de gente assim. Que dó de gente que pensa que um cachorro que julgam “de grife” é mais digno de pena e compaixão do que um vira-lata ou qualquer outro ser vivo. Deveria existir uma campanha – e me candidato a esta causa, se puder ajudar – alertando as pessoas para a complexidade da decisão de ter um animal de estimação. Ele não é uma peça de decoração. Ele sente fome, sede, dor. Ele gosta de passear, ele sente falta do dono, ele quer carinho, conversa, companhia. Ele é um ser dependente de nós.

:As reflexões que surgem quando nosso melhor amigo envelhece

Se não o alimentarmos, ele passará fome. Se não cuidarmos do prato de água dele, ele sentirá sede. Ele vai adoecer ao longo da vida e emitirá sinais de alerta – e a gente precisa estar atenta para medicá-lo. A gente precisa estar disposta a gastar com remédio, com banho, com veterinário. A gente precisa entender que, quando for viajar, ele vai querer ir junto. E a gente tem que estar disposta a levá-lo junto ou a deixá-lo muito bem acomodado com a certeza da nossa volta. Ele vai envelhecer, assim como nós. Ele vai ficar um pouco mais ranzinza, assim como nós. Mais cheio de manias. E a gente não só precisa compreender, como apoiar e, se possível, até se divertir com esse velho rabugento.

bento1ELA ESTÁ FALANDO DE MIM

Eu sentei aqui para falar de outra coisa completamente diferente. Mas estava com esse assunto engasgado. Sobre a doença da Mana, quero dizer que está sob controle. Foi medicada com remédios durante cinco dias e está sendo medicada com amor diariamente. Para entender o que é a sarna demodécica e para que este problema não resulte em mais e mais animais abandonados por pura falta de informação, um pouco sobre a doença: a sarna demodécica é causada por um ácaro minúsculo, o Demodex canis, muito pequenos para serem vistos a olho nu.

:Sobre viver em apartamentos pequenos e na companhia de uma adorável lhasa chamada Mana

Quase todos os cães adquirem ácaros de sarna de suas mães nos primeiros dias de vida. Esses ácaros são considerados normais na fauna da pele quando em número baixo. Eles produzem doenças apenas quando um sistema imunológico anormal permite que esses números fujam ao controle. Isso ocorre principalmente em filhotes ou em cães adultos com baixa imunidade. Uma alta incidência de sarna em certas linhagens sugere que alguns cães de raça nascem com uma suscetibilidade imunológica inata. Ou seja, a sarna demodécica é genética. Por isso é importante avaliar e investigar bem o canil antes de comprar um cão de raça.

olivia10A MANA NÃO TEM CULPA DA SARNA DELA

Outro fator importante: a sarna demodécica não é transmitível. Ela não vai passar para o Bento, ou para mim ou infestar a casa. Ela é uma doença da Mana e só da Mana. Não vai matar os habitantes da casa. É uma sarna genética que não tem cura, mas tem tratamento.

manaE NÓS VAMOS CUIDAR MUITO BEM DE TI, VIU, ALPAQUINHA?

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Mari Kalil

Mari Kalil

Sou escritora, jornalista, colunista da Band TV e Band News FM e autora dos livros "Peregrina de araque", "Vida peregrina" e "Tudo tem uma primeira vez". Sou gaúcha, nasci em Porto Alegre, vivo em Porto Alegre, mas com os olhos voltados para o mundo. Já morei em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Barcelona. Já fui repórter, editora, colunista. Trabalhei nos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil; nas revistas Época e IstoÉ e fui correspondente da BBC na Espanha, onde cursei pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona. O blog Mari Kalil Por Aí é direcionado a todas as mulheres que, como eu, querem descomplicar a vida e ficar por dentro de tudo aquilo que possa trazer bem-estar, felicidade e paz interior. É para se divertir, para entender de moda, de beleza, para conhecer lugares, deliciar-se com boa gastronomia, mas, acima de tudo, para valorizar as pequenas grandes coisas que estão disponíveis ao redor: as coisas simples e boas.

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