Por que você você precisa conhecer a fundo a cantora portuguesa Carminho

Maria do Carmo Carvalho Rebelo de Andrade, 33 anos, é um dos mais brilhantes e significativos expoentes do renascimento do fado como gênero musical que define e traduz a alma portuguesa. Natural de Lisboa e filha de uma fadista tradicional, Teresa Siqueira, Carminho cresceu no ambiente boêmio das tavernas do bairro da Alfama, onde nasceu o fado, no final do século 19.

carminhoCARMINHO: UM DOS MAIORES EXPOENTES DA VOZ FEMININA EM PORTO ALEGRE

Aos 12 anos apresentou-se pela primeira vez, entoando as músicas interpretadas por sua mãe. Hoje, canta fado tradicional no mundo todo em concertos lotados, com críticas sempre entusiasmadas comentando o talento e a presença de palco desta mulher pequena, de cabelos curtos e olhos castanhos à portuguesa, que torna-se enorme quando arranca da garganta a própria alma em forma de canções.

Há alguns meses, a cantora foi apresentada ao grande público brasileiro, com a inclusão de uma canção sua, Chuva no Mar, na trilha sonora da novela das 21h, A Lei do Amor. A música, interpretada em dueto com Marisa Monte, faz parte do disco Canto, lançado por Carminho em 2014.

Este é o clipe de Chuva no Mar!

Engana-se, no entanto, quem pensa que esta é a primeira incursão da portuguesa pela música brasileira. Apaixonada por artistas como Tom Jobim, Chico Buarque e Milton Nascimento desde a infância, Carminho conheceu muitas canções brasileiras assistindo às novelas que passavam em Portugal. Desde seus primeiros discos já buscou parceria com seus artistas favoritos: gravou com Chico, com Milton Nascimento e com Nana Caymmi – com elogios derretidos de todos. Em 2013, quando se apresentou em Porto Alegre (pois é, esta não é a primeira vez da rapariga por aqui), uma das interpretações mais aguardadas e aplaudidos foi Carolina, gravada com Chico Buarque no disco Alma.

Agora, a versátil cantora apresenta a realização de um de seus maiores sonhos musicais no palco do Bourbon Country: o disco Carminho Canta Tom Jobim. Lançada no final do ano passado, a obra revisita alguns dos maiores clássicos do maestro como Wave, Sabiá e A Felicidade, tudo com o toque da voz potente e habilidosa, em que os vibratos acostumados com o fado quebram o minimalismo característico da bossa nova.

Dá o play no clipe de Sabiá, gravado no Rio de Janeiro

O disco, lançado pela Biscoito Fino, traz ainda a participação de gente da pesada como Maria Betânia, Chico Buarque e Marisa Monte, além de Fernanda Montenegro, na leitura de um trecho do poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, na abertura de Sabiá. No palco do Bourbon Country, Carminho repete a composição do disco, com os músicos que fizeram parte da Banda Nova, que tocou com Tom Jobim por 10 anos. Nessa nova edição ela é formada por Paulo Jobim (violão), Daniel Jobim (piano), Jaques Morelenbaum (violoncelo) e Paulo Braga (bateria).

– São músicos que viveram e conviveram com Tom por muitos anos, portanto, para mim é uma honra poder fazer parte da continuação deste legado – afirma.

Carminho já repetiu em algumas entrevistas que nunca deixa de ser fadista e de ter o gênero tradicional português impregnado em seu estilo e em suas vivências musicais. Mas aventura-se cada vez mais na mescla do fado com outros estilos, em especial a música popular brasileira. Por isso, não se espante se, em meio à bossa nova de Tom Jobim, brotar um fado bem lusitano no meio do show. É isso o que torna Carminho uma artista tão singular e atraente aos nossos ouvidos e corações.

Clipe de making off do disco, com entrevista:

O caminho até o verdadeiro dom
A potência da voz melodiosa e rouca era evidente já na menina que cantava fados ao lado da mãe, mas o caminho até o encontro da música como a verdadeira vocação foi longo e tortuoso para Carminho. Apesar de viver cercada de música, a carreira artística não foi uma opção óbvia. A conclusão da faculdade de Publicidade e Marketing parecia dar um rumo bem diferente à jovem que, apesar de tudo, sentia-se imersa em dúvidas. No final do curso, antes de abraçar definitivamente a escolha profissional, embarcou em uma viagem de autoconhecimento por várias partes do mundo, onde trabalhou como voluntária em projetos humanitários.

Foi na Índia e em Calcutá que conseguiu olhar profundamente para dentro de si e descobrir que a arte, o canto, eram a sua verdadeira essência, seu maior dom. Em entrevista a uma emissora de televisão portuguesa, disse que sua missão era chegar até os outros por meio de sua voz, de sua música. E que ter descoberto este dom era uma bênção, uma manifestação de Deus.

Assista ao clipe de Saia Rodada, música de trabalho do disco Canto.

Hoje, seja cantando fado tradicional ou aventurando-se por outros ritmos, Carminho mantém-se firme no propósito de chegar até a alma das pessoas com seu talento. E sabe que isso é muito diferente de ser uma estrela, uma celebridade. Tanto que, fora dos palcos ou da divulgação de seus discos, é uma guria discreta, que gosta de passar longos períodos com a família em Lisboa, curtindo a programação cultural de sua cidade natal.

Suas contas no Instagram e Facebook trazem somente suas andanças profissionais. Nos sites de fofoca portugueses, pouco se sabe sobre ela. Casou-se em 2013 em uma cerimônia simples, em uma capelinha no Centro Histórico de Lisboa, com o diretor artístico de seu primeiro disco. Dois anos depois, com a mesma discrição, o casal se separou. E pronto, é só o que se sabe. Sem escândalos, sem troca de farpas.

Veja o clipe de Escrevi teu Nome no Vento, um dos primeiros sucessos, de 2009:

Na lista de pedidos para o camarim no Bourbon Country, nada além de água, suco, frutas e coisas simples para beliscar. Os momentos anteriores ao show, para ela, não são de ostentação ou exibicionismo. É hora de concentração e de orações. Enquanto faz a própria maquiagem, acalma o pensamento, poupa a voz e prepara a própria alma. Afinal, o que virá em seguida é, para Carminho, mais do que um show: é o exercício do seu verdadeiro dom.

+ Patrícia Lima, especial para o site MK

 

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mariana kalil

mariana kalil

Jornalista e escritora, Mariana Kalil é diretora de conteúdo do portal MK. É autora dos livros "Peregrina de Araque - Uma Jornada de Fé e Ataque de Nervos no Oriente Médio" (2011), "Vida Peregrina - Uma Jornada de Desequilíbrios, Tropeços e Aprendizado" (2013) e "Tudo tem uma Primeira Vez" (2015), todos publicados pela editora Dublinense. Trabalhou das redações das revistas Época e IstoÉ Gente, dos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil e foi correspondente da BBC na Espanha, onde cursou pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona. Dona do Bento, da Papaqui e tia da Olivia, vive em Porto Alegre ao lado do marido e dos peludos. Escreve diariamente na seção Por Aí, que funciona como uma espécie de blog e diário do site, e também nas outras seções do portal MK.

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