MARI KALIL: A moda repensa seus valores e cede passagem a duas “Anti-It-Bags”

Sempre acreditei que a roupa que escolhemos vestir precisa comunicar algo. Do contrário, entramos para a turma das fashion victims – termo em inglês para “vítimas da moda” e que serve para designar aqueles que seguem religiosamente todas as tendências sem pensar na própria personalidade. A marca Vetements ganhou e consolidou espaço no cenário mundial por conta do cérebro por trás da label, o designer Demna Gvasalia.

vetementsDEMNA GVASALIA: O NOME EM VOGA NO CIRCUITO DA MODA INTERNACIONAL

Nascido na Geórgia, ex-República Soviética, e formado na Academia Real de Belas-Artes da Antuérpia, na Bélgica, Gvasalia trouxe para a moda elementos e histórias de sua biografia – e vem daí grande parte o seu sucesso: moda que comunica, que gera identificação, que tem memória. Uma prova disso? A camiseta com o logo da DHL, apresentada há cerca de dois anos durante desfile da Vetements.

dhlDHL, A EMPRESA DE ENTREGA ALEMÃ VIROU ÍCONE FASHION EM SEGUNDOS NAS MÃOS DE DEMNA GVASALIA E GANHOU AS RUAS. PREÇO: R$ 800

Ao jornal britânico Telegraph, ele explicou naquela ocasião:

– DHL era um tópico recorrente na minha vida. Os pacotes que não chegavam, a vontade de parar usar os serviços deles. A DHL parecia ser uma parte enorme da minha biografia, então por que não colocá-la no desfile? Nós nunca imaginamos uma reação como essa. Nós vivemos em mundo em que as roupas não importam realmente. Mas elas passam a importar quando você consegue comunicar algo, falar com as pessoas.

MARI KALIL: Muito prazer, Vetements! As criações revolucionárias da marca que agrada geral!

Atual diretor criativo da Balenciaga, Gvasalia levou seu conceito para a casa de luxo e novamente fez história. Desta vez, com a versão de couro que a Balenciaga criou da FLAKTA, a sacola da IKEA (loja de origem sueca especializada na venda de móveis e objetos para casa de baixo custo).

Quem já morou na Europa e precisou mobiliar a casa conhece bem esta sacola da IKEA. Eu tinha a minha em Barcelona e andava com ela para todos os lados. Lamento muito, muito mesmo não tê-la trazido de volta comigo para o Brasil, já que deixei com ela parte da minha história.

Olha!

anti-it-bag2PREÇO DA SACOLA IKEA: US$ 1anti-it-bag-1VERSÃO EM COURO DA BALENCIAGA E O PREÇO DA RELEITURA CHIQUE: US$ 2145

Percebe como o sentimento, a memória, a roupa e o acessório que “comunicam” podem valer milhões? Enquanto a sacola original da IKEA custa tão só US$ 1, a versão de Gvasalia para a Balenciaga sai pela bagatela de US$ 2145. E por que ele conseguiu emplacar esta bolsa como uma legítima it-bag amada pelas fashionistas? Porque novamente trouxe a sua história para a frente dos holofotes. Escuta só o que ele conta ao site especializado em moda Vestoj:

– Durante os meus quatro anos de faculdade na Antuérpia, eu usei a Flakta todos os dias. Muitos outros estudantes também faziam isso por causa do preço, da durabilidade e do tamanho dela. Para pessoas que, como eu, viveram uma infância soviética e viram o mundo ocidental se abrir aos poucos, ideias como esta são homenagens à memória e à trajetória que percorremos.

Robin Givhan, uma das maiores críticas de moda do mundo e premiada com o Pulitzer em suas análises no jornal  The Washington Post, observa sobre o trabalho de Gvasalia: “Ele não somente eleva as coisas ordinárias a um novo patamar, mas faz com que a moda repense todo o seu sistema de valores”.

+ MARI KALIL: Abandonaremos definitivamente o salto alto? Entenda este momento da moda

Outras grifes gigantes parecem também repensar esse sistema de valores. A Céline é uma delas ao criar a bolsa de plástico que circula nas mãos de 10 entre 10 fashionistas dispostas a pagar US$ 600, cerca de R$ 2,4 mil.

Espia só!

celineA ANTI-IT-BAG NA PASSARELA DA GRIFE….

celine1… PARA AS RUAS DO MUNDO: DESGLAMOURIZAÇÃO DA MODA

Mas será que essas pessoas que circulam com bolsas de plástico da Céline e versão chique da IKEA para Balenciaga sabem mesmo o que significa passear por aí com elas a tiracolo? Me parece que não, e aí de novo eu volto para o excepcional trabalho de Demna Gvasalia: questionar valores, buscar personalidade e história naquilo que escolhemos vestir. É dele outra “anti-it-bag” do momento, a Net Bag.

Olha! (e deixo o convite pra me seguir no Instagram: @mari_kalil)

net-bagLEMBRA AS BOLSAS DE REDE DE FEIRA, VAI DIZER?

00000003361SE TIVER UMA EM CASA, JÁ SABE! ELA TEM CIRCULADO MUITO ALÉM DA FEIRA!

Espia só em algumas versões que passeiam por aí!

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Mari Kalil

Mari Kalil

Sou escritora, jornalista, colunista da Band TV e Band News FM e autora dos livros "Peregrina de araque", "Vida peregrina" e "Tudo tem uma primeira vez". Sou gaúcha, nasci em Porto Alegre, vivo em Porto Alegre, mas com os olhos voltados para o mundo. Já morei em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Barcelona. Já fui repórter, editora, colunista. Trabalhei nos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil; nas revistas Época e IstoÉ e fui correspondente da BBC na Espanha, onde cursei pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona. O blog Mari Kalil Por Aí é direcionado a todas as mulheres que, como eu, querem descomplicar a vida e ficar por dentro de tudo aquilo que possa trazer bem-estar, felicidade e paz interior. É para se divertir, para entender de moda, de beleza, para conhecer lugares, deliciar-se com boa gastronomia, mas, acima de tudo, para valorizar as pequenas grandes coisas que estão disponíveis ao redor: as coisas simples e boas.

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  • Penteados e escovados para a primeira de muitas noites de autógrafos de Vida Peregrina, que me levaria à lista dos livros mais vendidos do país e confirmaria Bentolino como um dos personagens mais importantes da minha existência como escritora. Seis anos hoje. Saudade, Xerife. ❤️🐶📘 #tbt #2013 #vidaperegrina #livromarikalil
  • Éramos uma família de bageenses morando no Rio e nossa família multiplicava-se com mais bageenses que chegavam no Carnaval. Tudo começava ao cair do sol com um primeiro chope para brindar a união e terminava com corpos ao mar pra curar o ressacão. Lembrança do nosso primeiro bailinho em que eu me retorci para entrar em uma fantasia de odalisca tamanho 14 comprada em uma loja infantil de Ipanema. É que ainda estava borracha da noite anterior. Borrachos entendem. 🍺
Casa da @renatabrasilvidal e do @marcelogoskes; Rio de Janeiro, Carnaval 2006. #tbt
  • Ter o privilégio de passar horas e horas conhecendo muitas das minhas perseguidoras faz a gente mais feliz. Ser recebida com carinho pelo @centrocarinaborges, que abriu suas portas para este momento tão especial de beleza e amizade faz a gente mais feliz. Poder oferecer a excelência dos produtos da @farmathuia para as amigas da Mari faz a gente mais feliz. Servir os melhores quitutes fit da @feeljoy.com.br e a delícia do capuccino proteico do @mundoverdeiguatemipoa faz a gente mais feliz. Rodopiar com um vestido de seda floral da @boutiquemariahelena capaz de traduzir com maestria meu estado de espírito faz a gente mais feliz. Felicidade é encontrar alegria na alegria dos outros; felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente. Obrigada a todas que hoje fizeram meu dia muito, muito mais feliz! ✨🙏🏻❤️
  • Quem nunca aplicou uma dessas?! 👆🏻
  • Me diga se pode existir desgraceira maior do que chegar ao vestiário de natação molhada em cima de um par de chinelos molhados, com o cabelo todo desgrenhado, com o rosto todo marcado dos óculos e ainda ter que pegar a sacola, botar a sacola em cima de um banco, abrir a sacola, retirar os saquinhos plásticos para guardar o maiô encharcado junto com a touca e o óculos, pegar a nécessaire, sair equilibrando toalha, xampu, sabonete e condicionador até o box, sempre pisando naquele chinelo nojento molhado, tomar banho na companhia de fios de cabelos de terceiros, recolher sabonete, condicionador e xampu, secar um por um com a toalha, se enrolar na tolha, voltar pingando até o armário em cima daquele chinelo nojento molhado, abrir o armário, abrir a sacola, guardar o xampu, o condicionador e o sabonete dentro da nécessaire, retirar o pente, desembaraçar o cabelo cuidando para não deixar fios caírem no chão, passar hidratante na volta dos olhos, sérum facial, creme com proteção solar, hidratante corporal, vestir a roupa toda amassada dentro da sacola, sentar no banco com o pé ainda molhado em cima daquele chinelo nojento com fio de cabelo de terceiros grudados na sola, secar dedinho por dedinho, colocar o sapato, secar o chinelo, ensacar o chinelo e terminar a maratona botando os bofes para fora do calorão que sai daquela quantidade de chuveiros quentes e secadores ligados. 
Me diga: pode existir desgraceira maior?!
  • Tenha coragem para as grandes adversidades da vida e paciência para as pequenas, e quando tiver cumprido laboriosamente sua tarefa diária vá dormir em paz. Deus está acordado. (Victor Hugo).