O privilégio de conhecer Danuza Leão

Não sou uma pessoa que tenha ídolos, portanto não entendo nada bem as histerias de fãs. Sou uma pessoa, isso sim, que se identifica com a cabeça de algumas outras pessoas e por isso passa a sentir por elas doses cavalares de admiração. Nesse grupo enquadra-se a escritora Danuza Leão.

Desde agosto do ano passado, tento uma entrevista cara a cara com Danuza. Sua assessora, Gilda Matoso, sempre insistiu que fosse por email. Ora Danuza estava viajando, ora estava difícil conciliar agenda. Não costumo ser insistente, mas, neste caso, fui, sim. Sabia, lá no fundo, que sentar frente a frente com Danuza seria de uma riqueza jornalística ímpar. Há duas semanas, recebi o sinal verde: “Danuza receberá você em sua casa, no Rio, na sexta-feira, 10 de fevereiro, às 14h30min”. Passei a me beliscar pra acreditar.

Primeira providência: ler o livro É Tudo Tão Simples, que ela lançou recentemente. Já tinha comprado, já tinha até dado de presente de Natal para minha mãe, mas ainda não tinha tido tempo de ler. Na quinta-feira, véspera da entrevista, me encerrei no escritório de casa com o livro e uma página em branco que deveria rechear de perguntas a ela. Eu ri, mas ri tanto com Danuza, me identifiquei tanto, mas tanto com ela e suas tiradas, que nosso encontro foi ganhando importância ainda maior pra mim.

Sexta-feira, pontualmente às 14h30min, bati em sua porta. Ela estava deitada no divã escrevendo no laptop. Não vou contar tudo aqui porque não quero estragar a surpresa do Donna (a entrevista deve sair em março no caderno), mas posso dizer que conheci uma mulher única, simples, tímida, querida, muito querida e com uma cabeça ainda melhor do que eu pensava. Tive vontade de me tornar naquele momento a best friend da Danuza. O Haroldo participou ativamente da nossa conversa.

Foram uma hora e meia de entrevista. No final, ela me convidou para conhecer o apartamento que estava reformando. Entrei no closet da Danuza para ela comprovar que realmente estava simplificando a vida, que tinha dado muitas coisas e que se sentia mais leve assim. Antes de ir embora, tomei a liberdade de dizer a ela que tinha escrito um livro e que tinha levado um exemplar pra ela. Puxei meu Peregrina de Araque da bolsa, comentei sobre o lançamento no Rio, no dia 7 de março.Confesso que fiquei meio envergonhada, mas pôxa, quando é que eu teria outra oportunidade de dar o Peregrina em mãos pra Danuza Leão?

Ela folheou, me perguntou do que se tratava, eu expliquei. Me ofereceu um copo de água, fomos até a cozinha, nos despedimos e ela disse que ficaria no divã lendo o Peregrina. Claro que eu quis acreditar, embora não acreditando muito. Pois, ontem, fui às lágrimas. Estava indo jantar com meu marido, quando resolvi acessar os emails pelo celular. Pobre do Chico quase bateu o carro, porque eu não conseguia falar, fiquei sem respirar e só repetia:

– Não pode ser, não pode ser, não pode ser…

– O que é, Mariana, pelo amor de Deus?

– Eu não acredito, eu não acredito!

– FALA! Tu quer me matar??

– A Danuza… a Danuza… a Danuza… A Danuza me mandou um email!

– Sério? – Disse o Chico, às gargalhadas. – Então, lê!!

– Não consigo…

– LÊ LOGO ISSO, MARIANA!

E eu li, e me debulhei em lágrimas. E eis o que dizia:

“Mariana, adorei seu livro, adorei! E obrigada pela dedicatória. Como eu sou meio tímida quando me pedem uma, não costumo pedir a ninguém, e aí, quando fui ver, tinha uma linda, obrigada mesmo. E aqui entre nós, tirando alguns momentos fantásticos, já em outro nível, como turismo mesmo, que mico, essa viagem. Mas você contou tudo super bem, gostei muito, muito mesmo, faça mais viagens e escreva mais livros. Sobre o lançamento no Rio, me convide que eu vou, bj, Danuza.”

Posso confessar?

Estou chorando de novo de emoção…

 

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Mari Kalil

Mari Kalil

Jornalista e escritora, Mariana Kalil é diretora de conteúdo do site MK e colunista do programa Band Mulher e da rádio Band News FM. É também autora dos livros "Peregrina de Araque (2011), "Vida Peregrina (2013) e "Tudo tem uma Primeira Vez" (2015), todos publicados pela editora Dublinense. Trabalhou das redações das revistas Época e IstoÉ Gente, dos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil e foi correspondente da BBC na Espanha, onde cursou pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona.

Sem comentários ainda.
  1. Nossa, eu também, Mari! A-d-o-r-o a Danuza e tu sabe que te adoro também! Parabéns!
    Já li o meu Peregrina (sem dedicatória(!) ) e me diverti horrores com as tuas proezas e palavras.
    Bj, Dani

  2. Nossa, eu também, Mari! A-d-o-r-o a Danuza e tu sabe que te adoro também! Parabéns!
    Já li o meu Peregrina (sem dedicatória(!) ) e me diverti horrores com as tuas proezas e palavras.
    Bj, Dani

  3. Aiiiii, Mariana e o DOM das palavras!!!!! Eu leio o que tu escreves e na hora imagino as cenas!!!!! Você é Especial, simples assim….
    Parabens, sempre… cada x mais e mais eu te admiro!!!!!!Bjaoo

  4. Aiiiii, Mariana e o DOM das palavras!!!!! Eu leio o que tu escreves e na hora imagino as cenas!!!!! Você é Especial, simples assim….
    Parabens, sempre… cada x mais e mais eu te admiro!!!!!!Bjaoo

  5. Nossaaaaa, que lindo isso que escrevestes,realmente na simplicidade de tudo, esta a essencia do viver bem e ser feliz.E a maneira, como escrevestes emociona, nos faz sorrir,chorar, apaixona.Adoro ler as coisas que esta peregrina que de araque nao tem nada anda a escrever por ai…como disse a Danuza, que muitas viagens venham por ai,pra poder-mos ver esta emotiva ( e emocionante)peregrina nos contando a vida e principalmente nos fazendo (re)sonhar e é claro, comendo muito da minha fruta preferida, que cresce na sacada de um apartamento la pelos pagos porto alegrenses…

  6. Nossaaaaa, que lindo isso que escrevestes,realmente na simplicidade de tudo, esta a essencia do viver bem e ser feliz.E a maneira, como escrevestes emociona, nos faz sorrir,chorar, apaixona.Adoro ler as coisas que esta peregrina que de araque nao tem nada anda a escrever por ai…como disse a Danuza, que muitas viagens venham por ai,pra poder-mos ver esta emotiva ( e emocionante)peregrina nos contando a vida e principalmente nos fazendo (re)sonhar e é claro, comendo muito da minha fruta preferida, que cresce na sacada de um apartamento la pelos pagos porto alegrenses…

  7. Vai parecer ridiculo, mas tudo bem… estou chorando! hehehe. Mari que BACANA! Admiro muito a Danuza Leão, leio seus livros, admiro você e já li o Peregrina, e o que posso dizer é que vocês duas tem aquele brilho que contamina, que contagia… To louca para ver essa entrevista no Donna! Parabéns, você conseguiu!!!!!!

  8. Vai parecer ridiculo, mas tudo bem… estou chorando! hehehe. Mari que BACANA! Admiro muito a Danuza Leão, leio seus livros, admiro você e já li o Peregrina, e o que posso dizer é que vocês duas tem aquele brilho que contamina, que contagia… To louca para ver essa entrevista no Donna! Parabéns, você conseguiu!!!!!!

  9. Mariii sou mega sua fã, leiooo sempre teu blog, e agora fiquei curiosa para ler teu livro curto mto tudo q tu escreve, é mto engraçado, o bento é um fofo, parabéns pelo talendo de escrever e divertir as pessoas c assuntos do cotidiano de uma forma leve e engraçada obrigada por alegrar os meus dias, chego em casa e ja entro na internet, mesmo c o tablet sem bateria entro pelo celular, so p ver se tem alguma coisa nova, n perco nada, anotei ate as receitas das saladas :D. Bom era isso, n sou uma fã isterica mas sou sua mega fã. Depois eu ler o livro eu conto o q achei. Mega bjuuu

  10. Mariii sou mega sua fã, leiooo sempre teu blog, e agora fiquei curiosa para ler teu livro curto mto tudo q tu escreve, é mto engraçado, o bento é um fofo, parabéns pelo talendo de escrever e divertir as pessoas c assuntos do cotidiano de uma forma leve e engraçada obrigada por alegrar os meus dias, chego em casa e ja entro na internet, mesmo c o tablet sem bateria entro pelo celular, so p ver se tem alguma coisa nova, n perco nada, anotei ate as receitas das saladas :D. Bom era isso, n sou uma fã isterica mas sou sua mega fã. Depois eu ler o livro eu conto o q achei. Mega bjuuu

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  • Né?! 🤣
E toca o barco, como dizia meu amigo @boechatreal ♥️
  • Repost @vitalvetpoa “Desejamos que todos os nossos amigos e clientes tenham uma segunda-feira igual à do Bento: agarradinho na sua almofada enquanto curte sua sessão de acupuntura naquela sonequinha gostosa com a língua de fora”. Meu agradecimento eterno. Quem ama cuida. 🐶♥️
  • Que o vento leve o necessário e nos traga o suficiente. ♥️🐶🙌🏻 #bento #xerife #companheirodejornada
  • Figos de Elsa! 👌🏻
• Seleciona lindos figos
• Corta a tampa rente ao talo
• Retira um pouco da polpa, coloca em um pratinho fundo, acrescenta queijo gorgonzola, amassa e mistura bem os dois
• Retorna com esse recheio para dentro do figo
• Pouco antes de servir, leva ao forno para gratinar rapidinho
• Na hora de levar à mesa, escolhe um prato bonito, faz algumas ranhuras com mel, polvilha flor de sal e voilà! Bon appétit! #entradinhadofindi #dicadamari #coisasdeelsa
  • Patricia foi minha boxer dos cinco meses de vida aos 12 anos de idade. Ganhei a Patricia de presente e fiquei muito incomodada. Cachorros têm sentimento, coração, pulmão. Cachorros não são vasos, lustres, sabonetes. Cachorros não são presentes que devemos ganhar sem o nosso consentimento. E a Patricia entrou na minha vida sem o meu consentimento. Eu não estava disponível para cuidar da Patricia naquele momento, eu estava com passagem comprada para São Paulo, contratada para um novo emprego, para um outro estilo de vida que exigia demais da minha capacidade profissional. Então, curti a Patricia por alguns meses, mas precisei ir embora. Durante anos, ela viveu na casa dos meus pais, e eu pedia notícias diárias por telefone. Voltava a Porto Alegre sempre que podia para que ela soubesse que meu comportamento não significava abandono, apenas nos encontramos em circunstâncias desfavoráveis. Pra mim; pra ti; pra nós duas, Patricia. Quando regressei definitivamente a Porto Alegre, Patricia havia acabado de completar 12 anos de idade. Ela sabia desde sempre, por mais de uma década, que pertencia a mim, e eu a ela. Aproveitamos nosso último ano com passeios em ritmo lento, com suas bochechas esbranquiçadas, com a fidelidade rara que só os animais conhecem. Ela partiu pouco tempo depois. Comemos um cheeseburger juntas no nosso último dia sentadas na grama do parque - e o bafo do queijo com mollho de catchup com maionese naquele pão ela sopra de quando em vez no meu nariz, durante a madrugada. Patricia desapareceu dos meus olhos, mas segue onipresente em cada minuto da minha vida. E eu tenho certeza que quando for a minha hora de cruzar a porta que leva para o outro lado da vida, ela estará lá, abanando o rabo e com o focinho rosinha para me buscar. #tbt. Porto Alegre, março de 1999
  • Minha irmã que criou. Minha irmã que me deu. Chato ter uma irmã assim, vai dizer?! 😜#convexoshoes #lojaconvexo #convexopoa #slipon #trendalert #animalprint