Body Talk: a incrível terapia alternativa baseada na escuta do corpo

Quando a editora Dublinense me desafiou a escrever meu terceiro livro, Tudo tem uma Primeira Vez, lançado em outubro – e que nesta sexta-feira vive dia de lançamento e sessão de autógrafos na loja Solaetela, em Bagé (Bageenses, aí vamos nós!), não deu nenhuma outra determinação a não ser deixar minhas lembranças fluírem.
– Vamos fazer um livro sobre tuas primeiras vezes – disse o Gustavo Faraon, dono da editora.
– Como assim? – eu quis saber.
– Crônicas avulsas sobre primeiras vezes. Pensa em todas as primeiras vezes que tiveram algum significado para ti e escreve.

mulher-doidissima5-594x4991COMO SE FOSSE FÁCIL

Achei a ideia genial. Ao mesmo tempo em que me arriscaria na aventura de escrever crônicas avulsas (isso não aconteceu nos meus dois livros anteriores, que são de narrativa), essas mesmas crônicas estariam ligadas por um tema em comum: as primeiras vezes. A ideia inicial era produzir 50 crônicas. Ou seja, 50 primeiras vezes. Mas quem tem 50 primeiras vezes interessantes para contar, Jesus?

Venham se encontrar na galeria de fotos do lançamento do livro!

Durante um mês estive encerrada em meu bunker produzindo este livro. Algumas primeiras vezes, claro, eram lembranças. Aliás, a maioria. Aliás, todas elas. Todas, com exceção de duas: a primeira vez que quebrei um dente (o que aconteceu durante o período…) e aprimeira vez que meu corpo falou. A primeira vez que meu corpo falou foi numa sessão de Body Talk – e eu fiz esta sessão durante o processo de escrita do livro. Marquei hora com dois propósitos: viver a experiência e, se sentisse interessante, transformá-la em um capítulo do livro, o que acabou acontecendo.

Olha!

livroCRÔNICA 22, PÁGINA 115

Foi preciso me segurar para não publicar um post sobre o Body Talk no dia seguinte. Eu sabia que essa experiência atrairia muita curiosidade e seria capaz de auxiliar muita gente. Estava certa. Desde a publicação do livro, tenho respondido a inúmeros e-mails e inbox com o telefone da terapeuta, a querida Dani Pires. Quis escrever este post porque precisava dividir minha primeira vez no Body Talk aqui também, já que tem pessoas que ainda não leram ou jamais lerão meu amado livro.

crying2-425x499MUITO FEIO ISSO

Fiz, tenho feito e farei outras sessões, claro. O Body Talk aciona uma outra consciência nossa, fundamental na busca pela felicidade e autoconhecimento. Bom, reproduzo abaixo minha primeira vez em uma sessão de Body Talk. E aviso: será o único capítulo do livro que irei reproduzir. Façam o favor de adquiri-lo. Tem outras 27 primeiras vezes incríveis!

manaELA NÃO TEM PROBLEMAS COM AUTO ELOGIO

bento1121ELA É MUITO CARA DE PAU

feliz1HE HE HE

Senhoras e senhores, com vocês o capítulo Meu Corpo Falou!!!
Uhuuuuuu!!!!!

palmas-1CLAP, CLAP, CLAP, CLAP!!!!

Meu corpo falou

Levantei da cama da terapeuta desnorteada. Trocamos algumas palavras finais, me despedi e peguei o elevador meio sem rumo. Já saía pela porta principal do prédio quando o porteiro chamou avisando que ela ligava lá de cima informando que eu havia esquecido meus óculos escuros na sala. Peguei o elevador de volta até o quinto andar. Ela me esperava na porta.

Não te preocupa, não é só contigo que isso acontece. Tem gente que esquece o sapato – sorriu, como quem diz “há casos mais graves”, e me entregando óculos.
Eu havia acabado de me submeter pela primeira vez a uma sessão de BodyTalk.

O BodyTalk é uma terapia alternativa baseada na escuta do corpo e consiste na crença de que ele sabe como curar a si mesmo. Parte do princípio da medicina tradicional chinesa de que o ser humano tem a capacidade inata de equilibrar corpo e mente. Não oferece nenhum diagnóstico ou prescrição, apenas sessões de “religação” para reestabelecer os canais de comunicação, contribuindo para a volta do bom desempenho do organismo. Ao longo dos anos, desde a gestação, recebemos influências externas, criação e educação que contribuem para nos afastar da essência que somos quando nascemos. O BodyTalk nada mais é do que a chance de voltar a ela.

Como é a sabedoria inata do corpo que guarda todo o registro histórico do que foi desalinhando ao longo dos anos, é ela também que conhece o caminho a fazer de volta para a cura. A técnica é usada para tratar diversos problemas de saúde – de dor no joelho a Mal de Parkinson, de uma simples alergia a câncer – e pode ser combinada a tratamentos convencionais, visto que não é invasiva. As sessões se atêm à escuta do corpo por meio do contato da terapeuta com o punho do paciente.

Apesar de ser bastante procurado para tratar questões de saúde física, geralmente depois que o paciente já peregrinou por consultórios e passou pelas abordagens tradicionais de tratamento sem encontrar solução para o sintoma, o BodyTalk também é útil para os problemas de ordem psicológica e emocional. Os relatos de pacientes submetidos à técnica e o impacto das histórias narradas boca a boca respaldam o crescimento do método que já tem sido utilizado em unidades de saúde no Brasil.

Como toda abordagem terapêutica, começa com a anamnese, uma entrevista em que o paciente descreve seu histórico de saúde e explica a razão de estar ali. A minha era de pura busca por mais autoconhecimento. Passada uma hora de conversa em que a terapeuta explicou todo o conceito e príncípios do BodyTalk, deitei na maca. Relaxei o corpo, soltei os ombros, pés, tornozelos, pescoço, cabeça. Me entreguei àquele momento. Ela depositou algumas gotinhas de um óleo essencial de lavanda na minha testa e na região do peito próxima ao coração. Segurou meu pulso, deu algumas batidinhas nele e, após alguns segundos, avisou que meu corpo havia dado permissão para começar a sessão.

Durante os 50 minutos que ficamos ali, intercalou perguntas com momentos de silêncio. O que foi vindo à tona durante todo aquele tempo mexeu com meus sentimentos mais profundos – muitos que eu nem sabia existir, outros que há anos gritavam fundo no interior da minha alma e da minha essência. Percebi que, pela primeira vez na vida, meu corpo tinha a oportunidade de falar sobre tudo aquilo que o incomodava nos nossos 42 anos de conviência e numa linguagem comum a nós dois. Não era pouca coisa.

Um baú de sentimentos acabava de ser aberto e começava a ser revirado. Medos, julgamentos, autoestima, dificuldades de expressão, necessidade de autoproteção, desencantos, lamentos. Viajei intensamente até o epicentro da minha natureza e percebi o quanto a criação e a educação recebidas e as circunstâncias e acontecimentos da vida haviam colaborado para construir uma pessoa mais distante de quem eu sou e desejo ser de fato – pessoal e profissionalmente.

A sessão foi encerrada com a técnica chamada implementação: toques sutis no topo da cabeça e na altura do coração: o toque na cabeça é para ativar o cérebro para que ele refaça os links e o toque no coração é para manter essas reconexões ativas. No BodyTalk, a necessidade ou não de uma nova sessão e o intervalo entre uma e outra – caso haja necessidade – é determinado pelo próprio corpo. Não há, portanto, como saber previamente o tempo de tratamento, nem a frequência com que as sessões acontecerão. A minha ficou marcada para dali 15 dias. Meu corpo ansiava por continuar seu dialogo comigo.

Coloquei o óculos de sol e saí do prédio até o estacionamento onde havia deixado o carro. Abri a porta, sentei e fiquei alguns minutos em silêncio, revivendo tudo aquilo e fitando o nada. Não sabia para que lado ir. Peguei a direção do shopping, precisava comprar um presente. Não lembro o caminho que fiz ao certo, recordo apenas dos sons dos automóveis e das buzinas. No shopping, circulei a esmo pelos corredores, feito zumbi. Sentei em um café, pedi um Carioca duplo e dois brigadeiros. Comi e bebi sem perceber. Levantei, voltei para o carro e vim para casa. Esqueci de comprar o presente.

Um sono incontrolável tomou conta de mim. Não resisti e mandei uma mensagem via WhatsApp para a terapeuta. “E o sono que me deu?”, escrevi. “Normal. É o corpo pedindo para ficar em stand by enquanto processa tudo”, ela respondeu. Respeitei a vontade dele e fui para o quarto. Deitei na cama e adormeci. Acordei no meio da noite com uma azia horrorosa queimando a boca do estômago, uma dor muito, muito forte. Meu corpo continuava gritando.

Deitei de barriga para cima, com um travesseiro embaixo dos joelhos e fiquei ali respirando fundo e pedindo para que ele se acalmasse. Havíamos estabelecido uma conexão maravilhosa e prometi jamais deixar que as coisas voltassem a chegar a tamanha desordem. Então chorei. Chorei muito. Caí em prantos. Cansada de chorar, adormeci para só acordar às 12h do dia seguinte. Abri os olhos e me percebi em posição fetal. Metaforicamente, quem sabe, para um segundo nascimento.

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Diz agora que esse blog é um desserviço, Bento. Diz!

bento1121VERGONHA ALHEIA

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mariana

mariana

Jornalista e escritora, Mariana Kalil é sócia-diretora de conteúdo do portal MK. É autora dos livros "Peregrina de Araque - Uma Jornada de Fé e Ataque de Nervos no Oriente Médio" (2011), "Vida Peregrina - Uma Jornada de Desequilíbrios, Tropeços e Aprendizado" (2013) e "Tudo tem uma Primeira Vez" (2015), todos publicados pela editora Dublinense. Trabalhou das redações das revistas Época e IstoÉ Gente, dos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil e foi correspondente da BBC na Espanha, onde cursou pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona. Dona do Bento, da Papaqui e tia da Olivia, vive em Porto Alegre ao lado do marido e dos peludos. Escreve diariamente na seção Por Aí, que funciona como uma espécie de blog e diário do site, e também nas outras seções do portal MK.

10 Comentários
  1. Conheço um pouquinho de MTC (acupuntura), mas confesso que fiquei bastante curiosa em conhecer o meu corpo verdadeiramente, deixar que ele “fale”…pois então, como faço isso? Aguardo sua resposta, abraço Josana

  2. Obrigada Mariana era o empurrão que precisava várias amigas e clientes estou massoterapeuta haviam me falado mas ler o seu depoimento me fisgou chorei muito vou ligar abr amor harmonia e paz

  3. Gratidã pelo seu relato.
    A Dani Pires é maravilhosa!
    Como escritora que é, fez o leitor viajar junto.
    Sucesso em seu livro.
    Célia
    terapeuta BodyTalk RJ

  4. Oi Mari!! Eu li essa parte do livro ontem à noite e hoje vi o post aqui, muita coincidência. Me incluo no grupo das leitoras que ficou muito curiosa e com muita vontade de conhecer mais de perto o Body Talk!! Estou adorando o livro, uma leitura leve e muito divertida!!! Um beijo com carinho Gabi

  5. Mari, não tinha lido ainda teu depoimento sobre o Body talk. Muito feliz que esse momento tenha feito sentido na tua vida. Eu sigo fazendo e semana que vem farei meu primeiro encontro grávida. Beijo, saudades!

  6. Oi Mariana gostaria de saber com quem você fez o BodyTalk.
    Que gostaria de fazer achei muito interessante o teu comentário.
    Vou comprar teu livro para ler.
    Minha sobrinha Anna Berthier já havia comentado sobre você.
    Obrigado
    Beijos

  7. Olá Mariana!!!
    Eu me trato com BodyTalk desde a década de 90.
    Acho esta terapia fantástica e foi a que me deu melhores respostas.
    Que bom que gostaste.
    Parabéns pelo teu blog e novo site.
    A Papaqui e o Bento são muito especiais.
    Sucesso!
    Abraço.

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