Sábados de tensão

Estava eu aqui pensando, neste fim de tarde de sexta-feira e  final de expediente, o que poderia me fazer feliz neste sábado. Tenho um problema com sábados, já comentei aqui. É que eu amo, mas amo, mas amo tannnnto o sábado que não sei por onde começar o dia.

Este é meu cérebro no sábado

Sábado é dia de passear com o cachorro sem pressa, é dia de conferir se os malditos pulgões foram derrotados, é dia de ir ao salão, de fazer hidratação, de fazer a mão, de pegar um sol, de ler o jornal, de tomar chimarrão (hahaha, agora eu tô me fazendo. ODEIO chimarrão), é dia de almoçar fora, ou de fazer churrasquinho em casa, ou de almoçar na casa da mãe, ou na casa da sogra… E daí o dia começa a ficar tumultuado.

#TENSO

A hora do almoço é sempre um momento tenso do fim de semana, vai dizer? Porque eu quero almoçar em casa, coisa que nunca faço, mas também quero passear no Mercado Público e almoçar no Gambrinus, ou sentar debaixo das árvores e comer uma massinha no Puppi Baggio… Também quero visitar meus pais e almoçar no pátio da casa deles, ou ir com meu marido na casa dos meus sogros e tomar um vinho a tarde inteira… E a coisa começa a ficar mais tensa.

#TENSO

E daí eu me pego parada no meio da sala, no meio da manhã, sem saber pra que lado eu vou. E começo a fazer contas:

“Se eu passear com o Bento mais tempo, vou demorar 40 minutos… É o tempo que eu deveria correr na esteira… Então, vou usar o tempo que eu correria na esteira para ir ao salão… Mas se eu não for cedo ao salão, não vou conseguir horário… Mas seu eu for cedo ao salão, vou deixar de tomar meu café com calma e ler o jornal no sol… Mas se eu tomar meu café com calma, quando chegar a hora do almoço eu não vou ter fome e eu odeio sentar pra almoçar sem fome. Então não vou tomar café. Então vou usar o tempo que eu tomaria café com calma para molhar as plantas e pensar mais um pouco…”

E o nó vai ficando mais apertado

“Já sei! Começo passeando com o Bento, passo com ele na farmácia e compro o hidratante que está me faltando, daí já uno o passeio com alguma outra utilidade… mas se ele não quiser ir para o lado da farmácia, eu vou ficar 40 minutos só passeando… Ok, 40 minutos passeando, deixo de correr na esteira para ir até a Tok Stok comprar a mesinha para o quarto que está faltando… Mas eu já tinha decidido que eu não ia colocar mesinha nenhuma no quarto, que o banquinho da cozinha está resolvendo bem este problema… Então, eu passeio, deixo o Bento em casa e vou ao salão… Mas a hora no salão é ao meio-dia e eu vou terminar o passeio às 10h30min… Tenho uma hora e meia pra encaixar outra coisa… Ah, acho melhor desmarcar a hora no salão porque ela está empatando a minha manhã…

E o nó no cérebro da Mariana vai ficando mais apertado

“Isso, vou desmarcar a hora no salão e vou aproveitar para fazer os exames de sangue que a médica pediu há seis meses… Mas acabei de tomar café e tinha que estar em jejum… Pensando bem, se eu desmarcar a hora do salão, não vou ter tempo de voltar ao salão durante a semana.. Mas se eu não desmarcar e a mãe ligar para ir almoçar, eu vou chegar atrasada, porque eles almoçam com as galinhas… Mas se a mãe não ligar, eu vou ter perdido a hora no salão… Já sei, acho que vou aproveitar e vou ao supermercado. Nunca tenho tempo de ir ao supermercado. Ou levar as roupas para o conserto, nunca tenho tempo de me livrar da sacola de roupas para o conserto”

Os neurônios não funcionam mais

E daí eu vou ficando tão, mas tão, mas tão cansada de tanto pensar nas mil e uma possibilidades que eu poderia fazer no sábado, que eu não faço NADA!

NA-DA

Mas que é muito bom não fazer nada, ah isso é, vai dizer?

Compartilhar
Mari Kalil

Mari Kalil

Jornalista e escritora, Mariana Kalil é diretora de conteúdo do site MK e colunista do programa Band Mulher e da rádio Band News FM. É também autora dos livros "Peregrina de Araque (2011), "Vida Peregrina (2013) e "Tudo tem uma Primeira Vez" (2015), todos publicados pela editora Dublinense. Trabalhou das redações das revistas Época e IstoÉ Gente, dos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil e foi correspondente da BBC na Espanha, onde cursou pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona.

Sem comentários ainda.
  1. meudeusdocéu, achei que isso acontecia só comigo! UFA. somos normais. faço uma agenda MENTAL tão extensa que o troço “paralisa”. entendo. compartilho. bêjo.

  2. meudeusdocéu, achei que isso acontecia só comigo! UFA. somos normais. faço uma agenda MENTAL tão extensa que o troço “paralisa”. entendo. compartilho. bêjo.

  3. Mariana, que coisa maravilhosa a tua descrição do sábado que eu também amo tanto.
    É exatamente assim.
    É aquele dia que tu imagina fazer tudo mas que no final o bom é não fazer nada, e sem culpa.
    Parabéns pela clareza!!!!.
    bj

  4. Mariana, que coisa maravilhosa a tua descrição do sábado que eu também amo tanto.
    É exatamente assim.
    É aquele dia que tu imagina fazer tudo mas que no final o bom é não fazer nada, e sem culpa.
    Parabéns pela clareza!!!!.
    bj

  5. Morrendo de rir!!!!!! Mas peloamordedeus mesmo, como disse Camila acima!!!!!!!! Eu aqui no sofá no note e no cel desde as 6h30min cheia de idéias do que fazer!!!!! Mas já são 10h15min e ainda nada!!!!! Mais uma vez tu tens as mesmas idéias que eu!!!!! Adoro teus posts!!!! Obrigada pelas risadas mais uma vez!!!! e um ótimo final de semana!!!! bj

  6. Morrendo de rir!!!!!! Mas peloamordedeus mesmo, como disse Camila acima!!!!!!!! Eu aqui no sofá no note e no cel desde as 6h30min cheia de idéias do que fazer!!!!! Mas já são 10h15min e ainda nada!!!!! Mais uma vez tu tens as mesmas idéias que eu!!!!! Adoro teus posts!!!! Obrigada pelas risadas mais uma vez!!!! e um ótimo final de semana!!!! bj

  7. Nada é por acaso… A tua coluna no Donna sempre me chamou atenção e hoje fui ler esse texto e me identifiquei bastante. Estou na cama, ainda sem almoçar, são 2 horas da tarde, mas com a consciência tranquila sem fazer nada, NAAADAAA…

  8. Nada é por acaso… A tua coluna no Donna sempre me chamou atenção e hoje fui ler esse texto e me identifiquei bastante. Estou na cama, ainda sem almoçar, são 2 horas da tarde, mas com a consciência tranquila sem fazer nada, NAAADAAA…

Comentar

Seu endereço de email não será publicado

Utilize as tags HTML : <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Facebook

Instagram
  • Né?!👌🏻#simplesassim #bekind
  • “Nunca mais me convida pra pegar praia em José Ignacio.” #gorda #reportergorducha
  • Dia de praia no @lachozademarparador. Viaja até José Ignacio, caminha na areia quente, procura guarda-sol, carrega geleira, sacola, mochila, faz reportagem para o Band Mulher e sorri pra foto! 🤣🐶
  • Bento envelheceu. Não foi do dia para a noite. Trata-se de um envelhecimento gradativo. Uma enfermidade aqui, uma coisinha crônica acolá – e há uns bons cinco anos vamos levando esses percalços da velhice com acompanhamento veterinário, exames de rotina, troca de medicações, mas sobretudo, com amor, cuidado, amizade, lealdade e fé. Neste último ano, mais precisamente nos últimos meses, Bento deixou de ser um cachorrinho vivaz, de olhos espertos e comportamento ágil para se transformar em um senhor de seus lá 95 anos (equivalente à idade humana) que requer uma série de cuidados e a minha presença e atenção 24 horas por dia. O diagnóstico complicou, como costumam complicar os diagnósticos à medida que a idade avança, e através do olhar do Bento eu enxergo diariamente o reflexo da finitude da vida. Não pode existir sofrimento maior para um dono de cachorro do que essa despedida diária. A cada dia, menos um dia. A cada dia, também uma surpresa. Um dia feliz, caminhando melhor, disposto, com apetite e sorrisos. No dia seguinte, sono, muito sono, xixi nas calças, olhar distante, cabecinha para o lado e alheio ao mundo ao redor. Um dia vivaz; noutro, senil. Deveria ser proibido pela natureza vivermos tal experiência. Bento significa para mim muito mais do que um dos meus grandes melhores amigos.
É meu companheiro de jornada por uma vida de altos e baixos, cheia de mudanças e reinvenções – e da qual foi testemunha ocular e grande conselheiro. Nos conhecemos quando ele tinha 30 dias de vida e desde então cruzamos oceanos até. O que eu quero que ele saiba – e o que eu sei que ele sabe – é que estarei sempre aqui. E hoje estamos aqui. E assim seguiremos juntos. Com sorrisos e mãos dadas. Até o fim. Porque a única certeza que temos é a de que o fim chega para todos nós. E com ele um novo renascer.🐶♥️🙏🏻 #bento #xerife #18anos #companheirodejornada
  • Muito havia ouvido falar de que filhos de nossas irmãs são nossos filhos também. Mas a teoria sempre só faz sentido quando a realidade se confirma. Quando João Benício nasceu, me tornei tia – e ser tia é o maior presente que um irmão e uma irmã podem nos dar. Ser tia é descobrir a maternidade de outra forma, é descobrir um amor que não sabíamos que existia. Quando me tornei tia, passei a enxergar as crianças sob outra ótica, com mais ternura e paciência. Passei a entender também a falta de paciência das mães em muitos momentos. Quando me tornei tia, passei a sentir mais saudade, passei a beijar e a abraçar mais. Passei a me preocupar mais com a humanidade, com o futuro, com o legado das pessoas e das coisas. Quando João nasceu, me tornei um ser humano melhor. Ser tia é amar profundamente uma pessoa que parece ter saído de dentro de nós. É encontrar tempo onde antes só havia falta de tempo. É segurar no colo, é não sentir dor no braço, é aguentar sem reclamar a dor nas costas. É deixar a garrafa de vinho e o Netflix de lado numa sexta-feira à noite para deitar ao lado de quem insiste em se manter acordado. Tias também são mães, são capazes de amar como mães. Tias são a segurança das mães de que, em qualquer ausência delas, amor é o que jamais faltará. Porto Alegre, agosto de 2015. #joãobenicio #amordatia #amordadinda
  • Gula é o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida. Pecado capital, viu Gorda?