Se eu sou hipocondríaca, é porque de perto ninguém é normal

Tive no fim de semana uma das piores dores de cabeça que já experimentei na vida. Não tenho muita paciência para dor, portanto, ao primeiro sinal da chegada de qualquer coisa parecida, me entupo de remédios. Minha irmã me condena. Diz que eu preciso aprender a aguentar, a respirar fundo e a tentar ver se a dor vai passar para só depois abrir a nécessaire de medicamentos. Porque não é com ela. No sábado de tarde, parecia que meu cérebro era maior do que a cabeça, sabe assim? Então, ele fazia uma pressão insuportável e parecia que a cabeça ia explodir, liberando na atmosfera toda uma fedentina de neurônios cansados de guerra.

“Preciso de uma Novalgina, preciso de uma Novalgina, preciso de uma Novalgina”, era só o que eu repetia em voz alta. Minha irmã disse que eu me acalmasse. Estava ao meu lado no carro, enquanto eu suplicava para a nossa mãe que pelo amor de Deus ela encontrasse uma Novalgina dentro da bolsa, uma vez que eu havia tido a capacidade de deixar minha nécessaire de primeiros socorros em casa.

– A mãe achou que tinha, mas não tem Novalgina na bolsa, minha filha… – respondeu a mãe terminando de revirar a bolsa.
– Como não tem Novalgina, mãe? – eu quis saber.
– Não tenho, minha filha…
– E Tandrilax? – perguntei.
– Também não.
– Mioflex? Toragesic? Alivium? – perguntei.
– A mãe só tem Tylenol.

hysteria101O QUE EU VOU FAZER COM UM TYLENOL????

Tylenol não me faz nem cócegas. Quando as gestantes dizem que só podem tomar um Tylenol e olhe lá, eu sofro muito mais do que elas só de pensar em um pesadelo desses na minha vida. Sou hipocondríaca, sim. Mas de perto ninguém é normal, não é isso que dizem por aí? Gostaria de ter paciência para respirar fundo e esperar a dor passar, mas eu respiro fundo e corro cem metros rasos até a farmácia mais próxima – e se a bula manda tomar 30 gotas eu tomo 50 só para garantir.

+MARI KALIL: Cinco dicas (todas furadas) para espantar a preguiça e malhar no inverno

Minha dor que começou no início da tarde de sábado só começou a terminar na noite de domingo. Mesmo assim, uma pontiiiiinha latejante lá no fundo do olho esquerdo insistia em lembrar que eu ainda pertencia ao mundo dos vivos. Então, tomei uma sopa de capeletti bem quentinha, despejei dentro dela um pote inteiro de parmesão para derreter, mandei a consciência na dieta para o diabo que a carregasse, entrei debaixo de um chuveiro fervendo, deitei na cama pelando por causa do lençol térmico ligado na temperatura máxima e, a bem de garantir que realmente aquele era o capítulo final de um pesadelo de mais de 24 horas de dor, tomei um Stilnox como tiro de misericórdia rumo ao apagão.

woman-questionDEU CERTO, MARIANA?

Teria dado mais certo se o apagão tivesse se mantido durante toda a segunda-feira e eu tivesse despertado só na terça. Inclusive, se a indústria farmacêutica quiser prestar uma homenagem a esta ilustre consumidora que faz sua economia girar a ritmo vertiginoso, criaria um remédio para apagões na segunda-feira e batizaria de Mariana. A pessoa tomaria um comprimido de Mariana no domingo lá pelas 22h e só despertaria na terça-feira às 8h da manhã. Nunca mais teria que vivenciar uma segunda-feira na vida.

Surprised-WomanNÃO É UMA IDEIA GENIAL?

bento1124É MUITA FLUOXETINA NUMA CABEÇA SÓ

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Mari Kalil

Mari Kalil

Jornalista e escritora, Mariana Kalil é diretora de conteúdo do site MK e colunista do programa Band Mulher e da rádio Band News FM. É também autora dos livros "Peregrina de Araque (2011), "Vida Peregrina (2013) e "Tudo tem uma Primeira Vez" (2015), todos publicados pela editora Dublinense. Trabalhou das redações das revistas Época e IstoÉ Gente, dos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil e foi correspondente da BBC na Espanha, onde cursou pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona.

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