Segunda em silêncio

Hoje de manhã cedo, como sempre acontece, saímos pra passear, Bento e eu. Depois de um domingo inteiro trabalhando na cobertura da tristeza de Santa Maria, o que aconteceu era mais do que previsto.

ELA TEVE INSÔNIA DE NOVO

Tive insônia de novo. E insone, de manhã cedo, saímos pra passear. Comentei com o Bento: como a rua está silenciosa. As pessoas não buzinam, os pedestres não conversam, quem vai e vem parece ter o olhar perdido em algum lugar.

É A RESSACA DA TRAGÉDIA DE SANTA MARIA

É, é isso sim. Pelo menos eu estou assim, meio apática. E me dá a sensação que o mundo inteiro também está. Na recepção da pet, onde Bento foi tomar banho, muito silêncio também. Vazio. Nunca é assim. As recepcionistas deram aquele bom dia obrigatório e típico de quem quer dizer outra coisa bem diferente.

NEM EU CANTEI, TU REPAROU?

Eu reparei. Reparei, sim.
Bento sempre volta cantando da pet, aliviado que o banho da semana tenha chegado ao final. Eu tenho até um vídeo dele cantando. A música chama-se “Ele Mesmo”, eu fiz pra ele – e ele canta. Um dia eu posto pra verem que a gente não está mentindo, né, Bento?

ELA DISSE QUE VAI ME INSCREVER NO THE VOICE 2

Só que hoje a gente não está a fim de cantar nem de falar. A gente queria ficar quietinho, fazer o que tem que fazer e só.

E A GENTE VEIO AQUI PERGUNTAR SE A GENTE PODE VOLTAR AMANHÃ?!

 


 

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Mari Kalil

Mari Kalil

Sou escritora, jornalista, colunista da Band TV e Band News FM e autora dos livros "Peregrina de araque", "Vida peregrina" e "Tudo tem uma primeira vez". Sou gaúcha, nasci em Porto Alegre, vivo em Porto Alegre, mas com os olhos voltados para o mundo. Já morei em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Barcelona. Já fui repórter, editora, colunista. Trabalhei nos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil; nas revistas Época e IstoÉ e fui correspondente da BBC na Espanha, onde cursei pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona. O blog Mari Kalil Por Aí é direcionado a todas as mulheres que, como eu, querem descomplicar a vida e ficar por dentro de tudo aquilo que possa trazer bem-estar, felicidade e paz interior. É para se divertir, para entender de moda, de beleza, para conhecer lugares, deliciar-se com boa gastronomia, mas, acima de tudo, para valorizar as pequenas grandes coisas que estão disponíveis ao redor: as coisas simples e boas.

Sem comentários ainda.
  1. Eu achei que era impressão minha, esse silencio todo da segunda. Os telefones não tocam, as ruas silenciosas, tudo muito quieto.
    Todo mundo meio sem acreditar ainda.

  2. Eu achei que era impressão minha, esse silencio todo da segunda. Os telefones não tocam, as ruas silenciosas, tudo muito quieto.
    Todo mundo meio sem acreditar ainda.

  3. Mari, Santa Maria está morbidamente silenciosa. Hoje cedo, enquanto eu vinha trabalhar, dei informações a algumas pessoas na rua, vindos de fora,sobre os locais dos velórios. Moro a meia quadra do Hospital de Caridade e passamos a madrugada ouvindo sirenes… Passei em frente a escola onde meus filhos estudam, lugar onde, em época de aula é cheio de alegrias, hoje tem tristeza, pois há velórios lá.
    E é bem como tu falaste, as pessoas dão aquele “bom dia” obrigatório. A vontade que dá é de abraçar todo mundo que tu encontras chorando pelas ruas. E chorar junto…
    Dói, Mariana, mesmo que a gente não esteja diretamente envolvido, como eu. Perdi conhecidos, amigos dos sobrinhos, filhos de amigos. Mas é uma dor que também é minha. Uma dor na alma. Dói tentar imaginar a dor desses pais.
    Hoje tá muito difícil…

  4. Mari, Santa Maria está morbidamente silenciosa. Hoje cedo, enquanto eu vinha trabalhar, dei informações a algumas pessoas na rua, vindos de fora,sobre os locais dos velórios. Moro a meia quadra do Hospital de Caridade e passamos a madrugada ouvindo sirenes… Passei em frente a escola onde meus filhos estudam, lugar onde, em época de aula é cheio de alegrias, hoje tem tristeza, pois há velórios lá.
    E é bem como tu falaste, as pessoas dão aquele “bom dia” obrigatório. A vontade que dá é de abraçar todo mundo que tu encontras chorando pelas ruas. E chorar junto…
    Dói, Mariana, mesmo que a gente não esteja diretamente envolvido, como eu. Perdi conhecidos, amigos dos sobrinhos, filhos de amigos. Mas é uma dor que também é minha. Uma dor na alma. Dói tentar imaginar a dor desses pais.
    Hoje tá muito difícil…

  5. Bah, Mariana! Que dor. Sabe que até aqui em Londres repercutiu. Hoje, quando cheguei no trabalho, recebi dos gringos vários tapinhas nas costas e comentários sobre a tragédia de Santa Maria. Dizer o que?

  6. Bah, Mariana! Que dor. Sabe que até aqui em Londres repercutiu. Hoje, quando cheguei no trabalho, recebi dos gringos vários tapinhas nas costas e comentários sobre a tragédia de Santa Maria. Dizer o que?

  7. “Só que hoje a gente não está a fim de cantar nem de falar. A gente queria ficar quietinho, fazer o que tem que fazer e só.” Conseguiu traduzir bem a forma como quase todo mundo esta se sentindo hoje.

  8. “Só que hoje a gente não está a fim de cantar nem de falar. A gente queria ficar quietinho, fazer o que tem que fazer e só.” Conseguiu traduzir bem a forma como quase todo mundo esta se sentindo hoje.

  9. Eu também tive insônia, isso acontece seguido quando acontece uma tragédia tão grande quanto a de Santa Maria. Não dá pra desligar da cabeça o que aconteceu e quem tem a mente fertil, ficar imaginando o incêndio e a fumaça matando as pessoas. É triste continuar a vida sabendo que vizinhos nossos morreram numa festa.

  10. Eu também tive insônia, isso acontece seguido quando acontece uma tragédia tão grande quanto a de Santa Maria. Não dá pra desligar da cabeça o que aconteceu e quem tem a mente fertil, ficar imaginando o incêndio e a fumaça matando as pessoas. É triste continuar a vida sabendo que vizinhos nossos morreram numa festa.

  11. Sou de Porto Alegre, mas fiz faculdade na UFSM. Santa Maria me acolheu de uma maneira tão materna que me sinto cidadã desta cidade. Lá vivi os melhores momentos da minha vida, e inclusive frequentei e promovi festas como a da Boate Kiss para arrecadar dinheiro para a formatura. Dias antes acompanhava o listão de aprovados na federal para achar algum conhecido/amigo, hoje acompanho apreensiva e com o coração apertado, o listão de mortos. Triste, muito triste. Ainda atônita.

  12. Sou de Porto Alegre, mas fiz faculdade na UFSM. Santa Maria me acolheu de uma maneira tão materna que me sinto cidadã desta cidade. Lá vivi os melhores momentos da minha vida, e inclusive frequentei e promovi festas como a da Boate Kiss para arrecadar dinheiro para a formatura. Dias antes acompanhava o listão de aprovados na federal para achar algum conhecido/amigo, hoje acompanho apreensiva e com o coração apertado, o listão de mortos. Triste, muito triste. Ainda atônita.

  13. Hoje acho que todos estão assim. Eu também mal dormi, a não tenho vontade de conversar com ninguém. Não consegui dar bom dia a ninguém. Um meneio de cabeça está sendo o mau máximo. Dia muito triste, semana triste.
    Às vezes queria que alguém me dissesse: acorda, e tudo não fosse mais do que um sonho ruim.

  14. Hoje acho que todos estão assim. Eu também mal dormi, a não tenho vontade de conversar com ninguém. Não consegui dar bom dia a ninguém. Um meneio de cabeça está sendo o mau máximo. Dia muito triste, semana triste.
    Às vezes queria que alguém me dissesse: acorda, e tudo não fosse mais do que um sonho ruim.

  15. Eu não moro em Santa Maria e não conheço ninguém de lá, nem ninguém que esteja entre as vítimas dessa tragédia. Mesmo assim, hoje também é um dia silencioso pra mim. “Bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” são apenas cordialidades, educação. Estou em luto, minha mente está em luto sem ser por obrigação. Acordei em silêncio, almocei em silêncio, ando nas ruas em silêncio… parece que a vontade de sorrir se calou ontem pela manhã, quando eu soube da notícia. É muito triste, é desolador! Tantas pessoas morrerem por não conseguir sair a tempo do local, é uma loucura, uma tragédia!

  16. Eu não moro em Santa Maria e não conheço ninguém de lá, nem ninguém que esteja entre as vítimas dessa tragédia. Mesmo assim, hoje também é um dia silencioso pra mim. “Bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” são apenas cordialidades, educação. Estou em luto, minha mente está em luto sem ser por obrigação. Acordei em silêncio, almocei em silêncio, ando nas ruas em silêncio… parece que a vontade de sorrir se calou ontem pela manhã, quando eu soube da notícia. É muito triste, é desolador! Tantas pessoas morrerem por não conseguir sair a tempo do local, é uma loucura, uma tragédia!

  17. É realmente muito triste, não conheço ninguém de Santa Maria, mas moro a uma quadra do HPS e passei ontem a tarde ouvindo os helicopteros e hoje de madrugada já estavam novamente transportando pessoas. É realmente muito desesperador e parece que não é de verdade.

  18. É realmente muito triste, não conheço ninguém de Santa Maria, mas moro a uma quadra do HPS e passei ontem a tarde ouvindo os helicopteros e hoje de madrugada já estavam novamente transportando pessoas. É realmente muito desesperador e parece que não é de verdade.

  19. Uma tristeza sem fim….mesmo atordoamento pós queda das Torres Gêmeas. Um vácuo na mente. Vontade de pegar estes pais no colo, abraçar e apertar muito. Medo, não paranoide, de liberar os filhos para as festas. Olhando a foto do Bento, que pode até não ser a atual, só se consegue ver tristeza………………

  20. Uma tristeza sem fim….mesmo atordoamento pós queda das Torres Gêmeas. Um vácuo na mente. Vontade de pegar estes pais no colo, abraçar e apertar muito. Medo, não paranoide, de liberar os filhos para as festas. Olhando a foto do Bento, que pode até não ser a atual, só se consegue ver tristeza………………

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  • Penteados e escovados para a primeira de muitas noites de autógrafos de Vida Peregrina, que me levaria à lista dos livros mais vendidos do país e confirmaria Bentolino como um dos personagens mais importantes da minha existência como escritora. Seis anos hoje. Saudade, Xerife. ❤️🐶📘 #tbt #2013 #vidaperegrina #livromarikalil
  • Éramos uma família de bageenses morando no Rio e nossa família multiplicava-se com mais bageenses que chegavam no Carnaval. Tudo começava ao cair do sol com um primeiro chope para brindar a união e terminava com corpos ao mar pra curar o ressacão. Lembrança do nosso primeiro bailinho em que eu me retorci para entrar em uma fantasia de odalisca tamanho 14 comprada em uma loja infantil de Ipanema. É que ainda estava borracha da noite anterior. Borrachos entendem. 🍺
Casa da @renatabrasilvidal e do @marcelogoskes; Rio de Janeiro, Carnaval 2006. #tbt
  • Ter o privilégio de passar horas e horas conhecendo muitas das minhas perseguidoras faz a gente mais feliz. Ser recebida com carinho pelo @centrocarinaborges, que abriu suas portas para este momento tão especial de beleza e amizade faz a gente mais feliz. Poder oferecer a excelência dos produtos da @farmathuia para as amigas da Mari faz a gente mais feliz. Servir os melhores quitutes fit da @feeljoy.com.br e a delícia do capuccino proteico do @mundoverdeiguatemipoa faz a gente mais feliz. Rodopiar com um vestido de seda floral da @boutiquemariahelena capaz de traduzir com maestria meu estado de espírito faz a gente mais feliz. Felicidade é encontrar alegria na alegria dos outros; felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente. Obrigada a todas que hoje fizeram meu dia muito, muito mais feliz! ✨🙏🏻❤️
  • Quem nunca aplicou uma dessas?! 👆🏻
  • Me diga se pode existir desgraceira maior do que chegar ao vestiário de natação molhada em cima de um par de chinelos molhados, com o cabelo todo desgrenhado, com o rosto todo marcado dos óculos e ainda ter que pegar a sacola, botar a sacola em cima de um banco, abrir a sacola, retirar os saquinhos plásticos para guardar o maiô encharcado junto com a touca e o óculos, pegar a nécessaire, sair equilibrando toalha, xampu, sabonete e condicionador até o box, sempre pisando naquele chinelo nojento molhado, tomar banho na companhia de fios de cabelos de terceiros, recolher sabonete, condicionador e xampu, secar um por um com a toalha, se enrolar na tolha, voltar pingando até o armário em cima daquele chinelo nojento molhado, abrir o armário, abrir a sacola, guardar o xampu, o condicionador e o sabonete dentro da nécessaire, retirar o pente, desembaraçar o cabelo cuidando para não deixar fios caírem no chão, passar hidratante na volta dos olhos, sérum facial, creme com proteção solar, hidratante corporal, vestir a roupa toda amassada dentro da sacola, sentar no banco com o pé ainda molhado em cima daquele chinelo nojento com fio de cabelo de terceiros grudados na sola, secar dedinho por dedinho, colocar o sapato, secar o chinelo, ensacar o chinelo e terminar a maratona botando os bofes para fora do calorão que sai daquela quantidade de chuveiros quentes e secadores ligados. 
Me diga: pode existir desgraceira maior?!
  • Tenha coragem para as grandes adversidades da vida e paciência para as pequenas, e quando tiver cumprido laboriosamente sua tarefa diária vá dormir em paz. Deus está acordado. (Victor Hugo).