Três livros com belíssimas histórias para entender melhor o sentido da vida

Em um domingo desses qualquer, fiz um de meus programas preferidos – acho que o preferido de todos os programas para um domingo qualquer: comprei ingresso antecipado para o cinema pelo aplicativo Ingresso.com e, enquanto o horário do filme não chegava, me perdi entre as prateleiras da Livraria Cultura. Sim, eu sou a louquinha dos ingressos de cinema antecipados. Eu fico nervosa se saio de casa com meia hora de antecedência com ingressos ainda a serem comprados. Prefiro nem ir. Sou tomada por tal nível de ansiedade que nem uma caixinha de Rivrotril líquido ingerida guti guti de canudinho resolveria.

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Como se não bastasse, ainda pedi para o Chico pegar lugar na fila convencional enquanto eu entrava na fila das máquinas de autoatendimento para retirar os ingressos que (detalhe!) já eram meus – e com cadeira numerada. Vai que dá algum bug na máquina e perco meu programa. Como dizia minha falecida bisa Yolande, “seguro morreu de velho”.

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Não é sobre cinema que quero falar, mas sobre os livros que levava na minha sacolinha de compras da Cultura – assunto pertinente neste fim de semana prolongado de feriado de Finados em que lembramos com carinho daqueles que não estão mais materialmente entre nós. Pertinente também porque recebo muitas, muitas mensagens pedindo dicas de leitura.

Então vamos lá! Abrindo a sacolinha de indicações!

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“Uma Prova do Céu – A jornada de um neurocirurgião à vida após a morte”  é incrível. Daquelas leituras que a gente começa e não consegue parar. Cético, defensor da lógica científica e neurocirurgião há mais de 25 anos, o Dr. Eben Alexander viu sua vida virar do avesso quando passou por uma experiência que ele mesmo considerava impossível. Vítima de uma meningite bacteriana grave, ficou em coma por sete dias. Os médicos fizeram de tudo para reverter o quadro, mas ele não reagia aos medicamentos. No início do sétimo dia, para surpresa de todos, Eben simplesmente abriu os olhos. Sua plena recuperação é considerada um milagre.

Mas o verdadeiro milagre vem da narrativa de Eben sobre o que viu do outro lado, durante a EQM (Experiência de Quase Morte): uma impressionante viagem ao mundo espiritual, em que conheceu seres superiores, recebeu ensinamentos de amor e sobre o sentido da nossa existência. Percebeu, então, que seu dever era compartilhar essa história. E assim nasceu Uma Prova do Céu.

Aquela experiência levou o doutor Eben a questionar todas as suas crenças até então. Afinal, como neurocirurgião, ele sabia que o que vivenciou não poderia ter sido uma mera fantasia produzida por seu cérebro, que estava praticamente destruído. Analisando as evidências à luz dos conhecimentos científicos, decidiu compartilhar essa viagem para mostrar que ciência e espiritualidade podem – e devem – andar juntas. O bacana do livro é o equilíbrio do autor, que narra cada fato com o fascínio de um paciente que visitou o outro lado e com a objetividade de um médico que tenta comprovar a veracidade de sua experiência.

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David Servan-Schreiber foi um psiquiatra francês que alcançou fama mundial com a publicação do maravilhoso best seller Anticâncer (que estou lendo neste momento, com algum atraso, confesso, e que indico antes mesmo de terminar). Em Anticâncer, ele relata sua passagem pelo câncer cerebral e ensina sua estratégia de complementar o tratamento clássico (cirurgia, quimioterapia e radioterapia) com tratamentos experimentais e técnicas de modelação das defesas naturais por meio do controle emocional (ioga, meditação), exercícios físicos e alimentação.

Schreiber esteve curado por alguns anos, mas, em junho de 2010, voltou a sentir alguns sintomas. O diagnóstico foi categórico: era uma recaída do tumor. Podemos Dizer Adeus Mais de uma Vez narra a trajetória de Schreiber desde o novo diagnóstico até dois meses antes de sua morte, em 2011, quando a doença já lhe roubara a voz e quase todos os movimentos. Como muito bem descreveu a revista Paris Match, o livro é “um manual de vida estarrecedor. Para ler, reler, reler de novo, meditar e re-meditar. Honesto até o fim”.

A beleza da história reside na beleza interna de Schreiber e em seu longo ritual de adeus. Traz poderosas reflexões do psiquiatra em relação à doença, escolhas e atitudes de vida, família, relacionamento amoroso, dor, medo, conforto, afeto, religiosidade, questões práticas que envolvem “o morrer” e toda essa verdade que nos cerca e que passamos batido ao longo de dias e anos, como se jamais fosse acontecer conosco.

Como muito bem descreveu a revista Paris Match, o livro é “um manual de vida estarrecedor. Para ler, reler, reler de novo, meditar e re-meditar. Honesto até o fim”.

“Depois que a gente desis­te de lutar contra a doença, resta ainda um combate para tra­var, o combate para morrer bem: ter a capacidade de dizer até logo às pessoas a quem precisamos dizer até logo, de perdoar as pessoas que precisamos perdoar, de pedir perdão às pessoas pelas quais precisamos ser perdoados. Deixar mensagens, arru­mar as coisas. E partir com um sentimento de paz e conexão”, escreve Schreiber.

livro espiritismo

Já li três vezes A Morte na Visão do Espiritismo, de Alexandre Caldini Neto. Já indiquei para muitas leitoras que me procuram pedindo ajuda para elas próprias, para familiares ou amigos queridos que estão passando pela dificuldade de enfrentar a perda de alguém. Trata-se de um livro muito bem escrito e também muito didático. São quase 200 páginas divididas em quatro capítulos, num total de 101 itens. O texto da orelha do livro me fisgou imediatamente.

“Recentemente, a filha adolescente de um amigo do autor foi surpreendida pela morte inesperada da mãe. Para melhor explicar a ela como o Espiritismo entendia a morte, Alexandre Caldini Neto resolveu escrever sobre o tema. É uma obra de esperança, que trata a morte a partir da ótica espírita. Não de forma lúgubre, mas como de fato deve ser encarada: de maneira leve e natural”.

“Morrer, assim como nascer, é apenas uma etapa da vida, diz o autor. Mostra que o assunto deve ser discutido, estudado e compreendido. E que esse aprendizado nos ajudará a lidar melhor com a partida de quem amamos, mas também com a nossa própria morte, quando ela (novamente) chegar.”

Recentemente, embalado pelo sucesso de A Morte na Visão do Espiritismo, Alexandre Caldini lançou A Vida na Visão do Espiritismo. Está aqui em casa, ainda não tive tempo de abrir, assim como outros títulos que coloquei na sacola em minha última ida à livraria.

Olha!

LIVROS MARI

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Mari Kalil

Mari Kalil

Jornalista e escritora, Mariana Kalil é diretora de conteúdo do site MK e colunista do programa Band Mulher e da rádio Band News FM. É também autora dos livros "Peregrina de Araque (2011), "Vida Peregrina (2013) e "Tudo tem uma Primeira Vez" (2015), todos publicados pela editora Dublinense. Trabalhou das redações das revistas Época e IstoÉ Gente, dos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil e foi correspondente da BBC na Espanha, onde cursou pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona.

2 Comentários
  1. Querida! Tuas sugestões cairam como uma luva. Vou escolher a segunda para presentear meu pai que esta vivendo esse mesmo momento. Nunca tinha comentado aqui, mas estou sempre de olho! Beijo grande!

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  • Patricia foi minha boxer dos cinco meses de vida aos 12 anos de idade. Ganhei a Patricia de presente e fiquei muito incomodada. Cachorros têm sentimento, coração, pulmão. Cachorros não são vasos, lustres, sabonetes. Cachorros não são presentes que devemos ganhar sem o nosso consentimento. E a Patricia entrou na minha vida sem o meu consentimento. Eu não estava disponível para cuidar da Patricia naquele momento, eu estava com passagem comprada para São Paulo, contratada para um novo emprego, para um outro estilo de vida que exigia demais da minha capacidade profissional. Então, curti a Patricia por alguns meses, mas precisei ir embora. Durante anos, ela viveu na casa dos meus pais, e eu pedia notícias diárias por telefone. Voltava a Porto Alegre sempre que podia para que ela soubesse que meu comportamento não significava abandono, apenas nos encontramos em circunstâncias desfavoráveis. Pra mim; pra ti; pra nós duas, Patricia. Quando regressei definitivamente a Porto Alegre, Patricia havia acabado de completar 12 anos de idade. Ela sabia desde sempre, por mais de uma década, que pertencia a mim, e eu a ela. Aproveitamos nosso último ano com passeios em ritmo lento, com suas bochechas esbranquiçadas, com a fidelidade rara que só os animais conhecem. Ela partiu pouco tempo depois. Comemos um cheeseburger juntas no nosso último dia sentadas na grama do parque - e o bafo do queijo com mollho de catchup com maionese naquele pão ela sopra de quando em vez no meu nariz, durante a madrugada. Patricia desapareceu dos meus olhos, mas segue onipresente em cada minuto da minha vida. E eu tenho certeza que quando for a minha hora de cruzar a porta que leva para o outro lado da vida, ela estará lá, abanando o rabo e com o focinho rosinha para me buscar. #tbt. Porto Alegre, março de 1999
  • Minha irmã que criou. Minha irmã que me deu. Chato ter uma irmã assim, vai dizer?! 😜#convexoshoes #lojaconvexo #convexopoa #slipon #trendalert #animalprint
  • A vida é uma via de mão dupla. Durante anos, Bento deitou aos meus pés esperando, companheiro e paciencioso, o final de uma jornada extenuante de trabalho. Agora, chegou a minha vez de adequar o meu trabalho ao seu tempo, ao seu espaço, ao seu ritmo. ♥️🐶 #bento #xerife #18anosjuntos #companheirodejornada