#MatilhaFranzFabbrin capítulo 2: Adotando a Pink

Pantufa estava ficando velha com quase cinco anos. Pouco brincava. Não socializava com outros cães. Passava praticamente o dia sozinha. Não lembro de existir creche e dog-walker na época e, mesmo que fizesse muito exercício, corresse atrás da bolinha, que brincássemos com ela, sentia-a solitária. Pode ser coisa de mãe. Mas eu notava Pantufa bastante apática.

Lendo, conversando com outros cachorreiros, ouvi muito sobre  ter outro cão para fazer companhia. Certo dia, deparei com um anúncio em site de cães para adoção de uma ninhada encontrada na beira da estrada. Foi amor à primeira vista. Num impulso, escrevi. Roí as unhas esperando a resposta. Queria aquela que ninguém quis. Um toquinho, de algumas gramas.

pink 5RECÉM-CHEGADA EM SEU NOVO LAR

Com a resposta positiva, coração em pulos, liguei para o marido e comuniquei o feito. Não, eu não estava perguntando a opinião dele. No dia seguinte, fomos a Novo Hamburgo buscar a pequena. Escolhi o nome Pink para combinar com Pantufa. Como na infância já tive a Pipoca, não poderia ser este o nome, nem Panqueca, porque a sonoridade precisa ser bem diferente para os cães “entenderem” seu nome.

#MatilhaFranzFabbrin capítulo 1: Conhecendo a Pantufa

Após irmos ao veterinário, chegamos em casa felizes com aquela coisinha que mal cabia na palma da mão. Pequena, mas tão pequena que dava medo de quebrar, que mal parava em pé, única sobrevivente da ninhada, salva pelos anjos da guarda Ale e Rodrigo.

– Pantufa olha o que temos aqui, uma maninha para você – falei com voz doce e suave, agachada, do lado de fora, para que a Pantufa a deixasse entrar em seu território.

O que Pantufa fez? Virou as costas e foi deitar na sua cama. Beto e eu nos olhamos. Entramos, fizemos carinho na Pantufa, conversamos, mostramos a mana. O que ela fez? Virou a cara. Deixamos a Pink na sua caminha. O que a Pink fez? Levantou e foi até a Pantufa. O que a Pantufa fez? Se retirou. E assim, durante dois dias, Pink chorava atrás da Pantufa, Pantufa se retirava, virava a cara. Saía do recinto. Ignorava por completo. Eu achava engraçado. Não ficava preocupada, só torcia para que ela amasse a Pink. Porque a Pink já a amou desde o primeiro olhar.

pink 2E O OLHAR DA PINK FALA POR SI SÓ
Doce, feliz, suave, serelepe, sempre de bom humor!

No terceiro dia, um descuido: onde está a Pink? Na boca de Pantufa. Só o rabo do lado de fora. Dou um berro: “PANTUFAAAAAAAAA!!!”. Ela cospe a Pink, como uma coisa nojenta. Antes do pânico bater, sento com as duas, encho de carinho, converso de novo. E vamos ver o que acontece. E assim dia após dia. Hoje o que temos? Duas irmãs apaixonadas. Inseparáveis. Quando chove a Pantufa tem medo. O que ela faz? Vai deitar junto da Pink.

pink 6UM AMOR E UMA UNIÃO QUE EMOCIONA MAIS A CADA DIA

Cena mais linda que essa, só uma que não registrei, porque não deu tempo, mas deixo para imaginarem: estava na praça, na época em que não existia Cachorródromo, anos atrás. Brincavam as duas soltas correndo, até longe uma da outra. Surge um cachorro maior. Pula em cima da Pink. Ela desaparece embaixo dele. Pantufa se transforma numa leoa e vem correndo. Pula, se embola com o cachorro. Pink consegue sair e o que faz ao ver que a mana está lá na batalha? Não vem chorar para a mãe. Pula para cima, para ajudar a mana. Foi tudo rápido. Ninguém se machucou. Mas foi a prova de que o amor não foi à primeira vista, porém é, sim, grande e forte o suficiente para ser eterno.

índicePRECISA DIZER QUE PANTUFA VOLTOU A BRINCAR COMO CRIANÇA!?

PS: Claro, este texto é dedicado aos nossos amigos anjos da guarda que salvaram Pink, Ale e Rodrigo. Sem vocês não seríamos tão felizes. Obrigada por serem incansáveis na batalha diária de resgatar e ajudar os animais. E a dica para quem quiser adotar e integrar dois animais: amor, respeito e paciência. Cada um tem seu tempo.

Um beijo e até a próxima com Virando #MatilhaFranzFabbrin com Nelson.

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Maíra

Maíra

Publicitária formada pela UFRGS, conta com especialização em marketing, MBA em Gestão Empresarial e cursos na área digital, planejamento, marketing, administração e gestão. Na época que vivia em Santa Rosa com os pais, antes dos anos 2000, não escapou de estudar outras habilidades, culinária e bordados. Conclusão: não leva o menor jeito para o trabalho manual. É cachorreira, a matriarca da #matilhafranzfabbrin, que rende histórias apaixonantes que serão compartilhadas no site. Aventureira, sempre que o trabalho permite, adora viajar com o marido pelo mundo afora. É adepta do viver, fazer é mais do que ter, ser e conhecer: experimentar é o que a faz feliz. Isso, sem deixar de lado a quedinha por moda e beleza, consome Coca-Cola Zero e vive com iPhone na mão. Sempre atenta a lançamentos, marcas, negócios, é sócia da Mariana, sendo a responsável pela parte de business da empresa. Aprendiz de amadora de jogadora de tênis (sim, aprendiz de amadora!), faz pilates, funcional, patinação artística e ainda caminha todos os dias com Pink, Pantufa e Nelson, os três vira-latas mais geniosos de que se tem notícias. Como ainda queria fazer algo diferente e novo todos os dias, resolveu estudar Direito. Voltou à faculdade e se acha jovem com os colegas de 18 anos. O céu é o limite e aprender a mantém viva.

6 Comentários
  1. Lágrimas de emoção… Quando digo para as pessoas que dois cães se completam elas logo pensam no trabalho que isso dará mas, ao vermos os dois ou duas juntos isso só confirma isso…minha Fanta ao receber a Bali ficava no segundo degrau onde a pequena não alcançava logo após a primeira semana a pequena já estava sentada no colo da Fanta com maior paciência… vale a pena ver a felicidade e transformacao destes dois seres, cada momento e único e mágico….linda história Maíra Franz, bjao! #irmaosdamesmaespecie #adotartudodebom

  2. A Matilha Franz Fabbrin é uma daquelas provas que a gente pouco vê: de que há esperança na humanidade e que vale a pena sim lutar por aquilo que se acredita.
    Resgatar a Pink foi muito além do gesto de “solidariedade” e “humanidade”. Foi renascer. Foi voltar a acreditar no ser humano, ainda que o abandono tenha sido causado por um. É ver que a gente nao luta sozinho… que sempre vamos encontrar essas almas no nosso caminho, que nao deixam a gente desistir, mesmo diante de inúmeras barreiras.
    Obrigada por existirem e por terem nos ajudado em mais essa batalha.
    Amo vcs.

  3. Oinnnnn coisa mais linda essas duas né?! Morro de vontade de adotar uma maninha pro Paçoca, mas só depois que eu for pra uma casa!!! Aguardando os próximos capitulos! bjo lindona

  4. Amei!!! Elas são simplesmente demais.
    O Thor é anti-social também, não aceita outros cães, penso que ter um mano(a) seria a melhor opção para ele, que também passa o dia inteiro sozinho!
    Lembrei agora do episódio do atropelamento dela, e tu contando que ela super tranquila, se deixava ser cuidada na maior tranquilidade (“Doce, feliz, suave, serelepe, sempre de bom humor!”).

    Beijo grande pra ti, obrigada por compartilhar com a gente a trajetória desses peludinhos fascinantes!

    1. obrigada por estar conosco nessa né??? E faz tempo!!!! E que sorte tem o Thor de ter uma mãe especial e linda assim. Pantufa diz que um maninho ou maninha é duro no início mas é a melhor coisa do mundo!!! Mil beijos

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  • Aquele sorriso que enche o coração da gente e faz toda a dedicação a um cachorrinho idoso valer a pena ♥️🐶 #bento17
  • Meus três filhos lindos e exibidos na Banca 14 da @feiradolivropoa ♥️ Neste último fim de semana, estão com descontão, avisa a @luthome e a @dublinense 😱
  • Sempre fui uma moça séria 😜 #fotodeportaretrato #estanciadonagenoveva #bage
  • Sanduiche de sorvete com #stroopwafel devorado em... Acho que cinco dentadas! 😜 Onde? Como? Quando? Por que? Conto em detalhes no meu blog no site MK! #www.marianakalil.com.br
  • Um feriado feliz ♥️🐶♥️ #casadaalemoa #diadepiscina
  • Abrindo os trabalhos do feriado! Banana + mirtilo + água de coco + canela + gengibre! 🙌🏻♥️🙏🏻 #vitaminados 💪🏻