Um cobertor e duas Dianas

De tempos em tempos, encarno em algum personagem histórico e passo a ler e a assistir a tudo que diz respeito ao sujeito. Estou na fase Diana Vreeland. A quinta-feira de Corpus Christi, como relatei no post A Arte de Fazer Nada, foi de fazer nada e, boa parte do tempo, dispensada em frente à TV, debaixo de um fofinho cobertor. Comemorei a vitória da Celeste, desejei ter um atacante como Luis Suárez na seleção brasileira e fiquei zapeando até me dar conta que poderia trocar algum filme mais ou menos por documentários. Então, resolvi aproveitar o muito que gastamos com a NET e entrei no arquivo de documentários GNT.doc.

mulher-nova-gritando-feliz-thumb894324812FAÇA ISSO

Poderia ter ficado até agora de manhã assistindo aos documentários, mas assisti a dois e coincidentemente escolhi o de duas Dianas. O primeiro, de 50 minutos, sobre a conspiração ou não da morte da Princesa Diana. Tenho fixação neste assunto. Estava acordada na madrugada de 31 de agosto de 1997 quando tudo aconteceu. Vivia um momento de insônia e resolvi ligar a TV. Assistia à GloboNews quando veio o breaking news. Não dormi mais. O dia amanheceu, tomei banho e fiz o que um jornalista faz quando uma tragédia envolvendo um grande personagem acontece (e costuma acontecer em finais de semana, diga-se!): fui direto para a redação de ZH.

Tinha certeza que a pobre Diana havia sofrido uma conspiração que resultou em seu assassinato. Vivi durante alguns anos defendendo essa tese. Vivia ainda hoje com uma pontinha de dúvida a respeito, apesar de todas as provas em contrário, mas o documentário Quem Matou Diana? foi esclarecedor: um acidente fatal matou a princesa. Simples assim – e eu que pare de vez de fantasiar. Um dos depoimentos mais simples, geniais e racionais que ouvi neste documentário foi a do jornalista Christopher Dickey.

Fala, Dickey!

mainpic_home_edited“Por que as pessoas insistem em defender teorias conspiratórias? Porque as pessoas não querem acreditar que foi simplesmente algo idiota, como deve ter sido. Defender teorias conspiratórias é uma forma de contribuir para que a história não morra”

imagesME SERVIU O CHAPÉU
“Contribuir para que a história não morra”
Muito eu

Mas tinha começado o post falando de Diana Vreeland, a verdadeira e mais inspiradora editora de moda de quem eu e o mundo temos notícia. O documentário Diana Vreeeland – O Olhar tem que Viajar é um filme de 1h20min já não tão recente assim, mas daqueles documentários ricos em história e estética, que merecem ser vistos e revistos.

dianavreeland2DIANA VREELAND EM SUA SALA DE ESTAR
Diga se não era um bocado excêntrica

Diana tem pérolas maravilhosas, e o documentário começa com uma que, para mim, é a melhor de todas. Quando, na década de 1980, o editor George Plimpton perguntou a ela o que poderia ajudar uma pessoa a ser um “Ícone de Estilo”, uma “Imperatriz da moda”, uma “Soberana do luxo” (todas expressões usadas para descrevê-la), Diana respondeu com uma de suas célebres frases.

Fala, Diana!

Diana-Vreeland-1980“Meu querido, a primeira coisa a providenciar é nascer em Paris. Depois disso, tudo segue bem naturalmente.”

O caderno Ela, do jornal O Globo, publicou uma reportagem bem completa sobre Diana Vreeland, que vale muito a pena ler.

apontando_para_baixo_01ESTÁ AQUI

bento1E AGORA?
E agora o quê, menino?
bento1A GENTE NÃO NASCEU EM PARIS
Pois é, a gente não nasceu em Paris. Eu nasci em Porto Alegre e tu nasceu em São Bernardo do Campo, no Grande ABC. Isso significa que eu sou gaúcha e tu é um mano paulista. Um mano corinthiano, como tu gosta de falar. E só um mano corinthiano de 13 anos de idade faria o que tu fez hoje.
bento1TU VAI CONTAR?
Se eu vou contar que, enquanto eu escrevia e achava que tu ainda dormia de pelotas, tu estava de pé, acocado, me encarando com esse olhar esbugalhado e fazendo xixi em cima do sofá?
bento1NÃO ACREDITO QUE TU CONTOU
Contei para tornar teu vexame público e ver se, depois de velho, tu cria vergonha nessa cara lambuzada de blanchet de peru.
bento1PIOR TU QUE QUEBROU A TAÇA DE VINHO E MANCHOU O SOFÁ
enxaqueca9NÃO ACREDITO QUE TU CONTOU
bento1E NUNCA VAI NASCER EM PARIS
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Mari Kalil

Mari Kalil

Jornalista e escritora, Mariana Kalil é diretora de conteúdo do site MK e colunista do programa Band Mulher e da rádio Band News FM. É também autora dos livros "Peregrina de Araque (2011), "Vida Peregrina (2013) e "Tudo tem uma Primeira Vez" (2015), todos publicados pela editora Dublinense. Trabalhou das redações das revistas Época e IstoÉ Gente, dos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil e foi correspondente da BBC na Espanha, onde cursou pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona.

Sem comentários ainda.
  1. Adorei as dicas de documentário, Mari! Farei isso em algum momento preguiça do fim de semana! Falei com a minha mãe, e, infelizmente, não fomos vizinhas! 🙁 o tal Dr Kalil que morava na Artur Rocha era advogado e o nome dele parece que era Edson. Por coincidência, tinha uma filha chamada Mariana.

    Mas as coincidências não param por aí! Quando falei pra minha mãe em Dr Renato Kalil .. Ela disse que foi ele que operou meu pai ano passado!!! Brilhantemente por sinal. Fez troca de válvula mitral. Não me lembrava do nome dele, mas não preciso nem
    dizer que somos eternamente agradecidos. De coração. ❤️

    Que vocês tenham uma excelente sexta e fim de semana! Louca pra ler a Donna! Bjs

  2. Eu sei que o foco aqui são as Dianas, mas não pude deixar de comentar o xixi do Bento no sofá! Tenho um Lhasa de 1 ano, que volta e meia apronta o meeeeesmoooo! E bem quem nem tu disse, me olhando com aqueles olhos de bolita! Conta essa para o Bento não se sentir tão envergonhado! haha!

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