A comida baiana de Jorge Amado

Meu programa preferido de terças à noite foi feito ontem: assistir ao programa da Bela Gil. Fico impressionada com a simplicidade que Bela empresta à maneira de preparar os alimentos e fico imaginando que ela deva ser uma pessoa assim em todos os âmbitos de sua vida. Fiquei pensando nisso vendo ela preparar uma farofa de inhame (ou cará, dependendo da região do Brasil). Não faz muito tempo, Chico me apareceu em casa com um troço desses, o tal inhame (ou cará). Duro, duro, duro que era um pau. Não tinha a menor ideia sobre o que fazer com aquele troço. Quase me matei cortando em fatias resolvi colocar no forno elétrico para ver se ficava croc croc croc.

enxaqueca115FICOU PÉSSIMO

Falei para ele que nunca mais queria ver o tal inhame (ou cará) pela frente. Isso até assistir à simplicidade e felicidade de Bela preparando a farofa de inhame. Repare, você, a simplicidade: Bela descascou o inhame, cortou em fatias grossas e redondas, pegou um lindo ralador e ralou. Colocou o inhame ralado em uma tigela e despejou por cima o refogado de alho e cebola no azeite que havia feito. Juntou uma azeitonas pretas, mexeu, mexeu, mexeu e pronto. Estava preparada a farofa de inhame para comer com vegetais, com carne, com peixe, com frango, com qualquer coisa que a gente inventar.

Wonder business womanSIMPLES ASSIM

Antes do programa da Bela, já havia me babado um pouco com o programa da Rita Lobo e sua deliciosa moqueca. Só que, veja bem, moqueca é uma coisa que não me arrisco a fazer. Rita aproveitou e mostrou de onde havia tirado a receita: do livro A Comida Baiana de Jorge Amado.

Olha!

441625-400x600-1UMA DELÍCIA!

Tudo começou com Paloma Jorge Amado, filha dos escritores Jorge Amado e Zelia Gatai.Há pouco mais de 20 anos, ela pensou em extrair da obra do pai tudo o que os personagens tinham falado ou pensado sobre comida. O resultado da pesquisa virou um livro de culinária. Se dona Flor gostava de preparar moqueca de camarão, Paloma ia atrás da melhor receita de moqueca de camarão que se podia encontrar. E assim foi com vários dos personagens das várias histórias de Jorge Amado.

Passados 20 anos, Paloma teve vontade de lançar um livro. Foi quando conheceu Rita Lobo e sua editora, a Panelinha. Rita conta que logo de cara percebeu que as receitas podiam ser separadas em duas categorias. A primeira, mais histórica, reuniria pratos importantes, porém com ingredientes difíceis de serem encontrados fora do território baiano. O segundo grupo seria formado por receitas mais práticas, que pudessem ser preparadas em qualquer lugar do país e do mundo.

Olha a moqueca!

441624-400x600-1OOOOOHHHHHH!!!

Rita conta que a comida baiana de Paloma vai além das comidinhas. Ela gosta de observar o cotidiano, refletir, conversar. Dá para dizer que A Comida Baiana de Jorge Amado é um livro de costumes. O livro tem citações dos trechos em que os personagens de Jorge Amado falam sobre cada prato apresentado. Isso eu achie muuito legal. História com culinária, sabe assim?

A parte gráfica do projeto também é muito interessante. Se a receita é histórica, está na folha de caderno; se passou pelo método Panelinha (em que Rita e sua equipe testaram e fizeram cada receita), tem fundo branco, uma fonte mais moderna e é acompanhada de foto; se o texto é uma citação, está aplicado sobre uma renda; se é um texto da Paloma, está sobre um fundo bege, plano.

Olha!

2510_GUM CUIDADO INCRÍVEL COM AS IMAGENS!
As louças são cheias de textura, as palhas são claras, até pintadas de branco; os fundos são de madeira branca, de mármore. Tem rendas, tules, muitos tons de branco. Delicado demais!

Sempre achei um baita presente livros de culinária com esse cuidado estético. Sou uma voraz colecionadora e adoro dar de aniversário para amigos e família. Nem que seja para decorar a cozinha.

bento1ELA QUER DIZER QUE VAI COMPRAR MAIS ESTE

amo almondegasCLAAAARO!

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Mari Kalil

Mari Kalil

Sou escritora, jornalista, colunista da Band TV e Band News FM e autora dos livros "Peregrina de araque", "Vida peregrina" e "Tudo tem uma primeira vez". Sou gaúcha, nasci em Porto Alegre, vivo em Porto Alegre, mas com os olhos voltados para o mundo. Já morei em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Barcelona. Já fui repórter, editora, colunista. Trabalhei nos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil; nas revistas Época e IstoÉ e fui correspondente da BBC na Espanha, onde cursei pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona. O blog Mari Kalil Por Aí é direcionado a todas as mulheres que, como eu, querem descomplicar a vida e ficar por dentro de tudo aquilo que possa trazer bem-estar, felicidade e paz interior. É para se divertir, para entender de moda, de beleza, para conhecer lugares, deliciar-se com boa gastronomia, mas, acima de tudo, para valorizar as pequenas grandes coisas que estão disponíveis ao redor: as coisas simples e boas.

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