O dia em que inventei de fazer spaghetti de pupunha no jantar…

Semana passada, sozinha em casa à noite, achei por bem variar meu cardápio de legumes no vapor – como contei no post WOK NO JANTAR: PORQUE SONHAR NÃO CUSTA NADA. Lembrei de um spaghetti de pupunha que havia comido no restaurante Maní, da minha querida e adorada amiga Helena Rizzo, e saí Porto Alegre afora atrás de fios de pupunha. Não achei no Zaffari, não achei no Nacional, não achei no Paulinho da Cobal e lembrei que seguramente acharia na La Gourmadise, ali na Rua Carlos Trein Filho.

La Gourmandise - Loja 2AQUI ADENTREI
E nesta esquina da loja fiquei hooooooooras, mas hoooooooras distraída, me sentindo na Disneyworld
do universo culinário

– Posso ajudar? – aproximou-se a simpática vendedora.
– Vim atrás de spaghetti de pupunha, vocês têm? – perguntei.
– Sim, temos fios de pupunha congelados. Gostaria de ver agora? – ela quis saber.
– Não. Vou dar mais uma olhada em toda a loja e depois procuro a senhora. Obrigada – agradeci.
– Fique à vontade.

À vontade fiquei no meio daquele paraíso da gastronomia. Se eu, que mal sei fazer um arroz sem tempero, já me vi louca querendo comprar frigideiras, temperos, potinhos, facas, chocolates, vinhos, copos, congelados, abridores, mexedores, jarras – enfim, tudo o que via pela frente, imagina quem sabe lidar com as panelas!? Recomendo muuuuito uma visita à La Gourmandise. Poderia estar situada em qualquer centro cosmopolita do mundo.

Havia deixado o Bento no banho, então, minha visita à loja estava programada para durar o tempo do chuveiro do animal. Lá pelas tantas, vendo que me atrasaria (e não seria perdoada), fui atrás do spaghetti de pupunha. Havia duas caixas, com 400 gramas cada uma, na geladeira. Me servi e fui para o caixa. “O jantar que me aguarde”, pensei.

bento1ELA CHEGOU ATRASADA PARA ME BUSCAR

Cheguei 10 minutos atrasada para recolher o animal da pet. Ele estava me esperando na gaiolinha, deitadinho, com uma… com uma…. com uma….

gargalhada2COM UMA BANDANA DE CETIM AMARRADA NO PESCOÇO!

smile39466-lindsay-lohan-laugh-zJUbCHEIA DE BOLAS COLORIDAS!

bento1NÃO SEI QUAL É A GRAÇA

Fomos para casa e guardei o spaghetti de pupunha na geladeira. Servi o almoço do animal e vim trabalhar. À noite, voltei para casa sonhando com aquele jantarzinho romântico do tipo eu comigo mesma. Pensei em fazer o pupunha com shitake, shimeji, tomatinhos e manjericão. Retirei a embalagem do spaghetti pupunha do congelador.

Olha!

IMG_4522MUITO PRAZER, SOU A EMBALAGEM DO SPAGHETTI PUPUNHA
O conteúdo eu já havia colocado na panela com água quente

IMG_4524O SPAGHETTI PUPUNHA NA ÁGUA QUENTE
Tem várias maneiras de descongelar. Preferi seguir a indicação para colocar com embalagem e tudo na água quente até que os fios de pupunha ficassem molinhos, o que não demorou muito

IMG_4523ENQUANTO O SPAGHETTI DE PUPUNHA DESCONGELAVA…
Coloquei os tomatinhos, shimejis e shitakes para cozinharem no vapor da panela de wok

IMG_4525EIS A FOTO DELES COZINHANDO TAMPADINHOS

Quando estava tudo devidamente pronto – legumes cozidos no vapor e spaghetti de pupunha quentinho e descongelado, retirei os fios de pupunha da embalagem, escorri uma água que se soltou e depositei no prato. Peguei os legumes no vapor, despejei em cima, dei uma misturadinha, joguei um pouco de azeite e shoyu e folhas de manjericão frescas.

Olha!

IMG_4527OOOOOOOOOHHHHHHH!!!
Viram como o spaghetti de pupunha parece spaghetti? Mas é pupunha! Cada 100 gramas tem apenas 37 calorias!

Eu achei que comeria fácil as 400 gramas de spaghetti de pupunha, sobretudo porque me renderia poucas calorias à noite. E me servi de toda a embalagem – um grande erro. “Pupunha é muito forte, minha filha”, falou meu sábio pai alguns dias depois. Comi, tomei meu cálice de vinho, comi mais um pouco, terminei satisfeita, vi um pouco de TV, peguei um copo de água, recolhi o colchão do animal e fomos para o quarto dormir.

mulher-com-vergonhaFOI ENTÃO QUE O PESADELO COMEÇOU

Comecei a sonhar que escalava um prédio muito, muito alto e estava enrolada em fios de pupunha. Os fios de pupunha me seguravam no alto do prédio, como se eu fosse uma Mulher-Aranha e minha teia fosse os tais fios de pupunha. Só que eu comecei a ficar enjoada com aquele enrosco de pupunha em volta de mim e comecei a ficar com vontade de vomitar. Quanto mais vontade de vomitar eu tinha, mais os fios se enroscavam no meu corpo.

bento1ENTÃO ELA ACORDOU E PISOU NO MEU RABO

mulher-com-vergonhaENTÃO EU ACORDEI MUITO ENJOADA E PISEI NO RABO DO ANIMAL

bento1EU AVANCEI NELA

mulher-com-vergonhaELE AVANÇOU SEM PENA EM MIM

foca-se-equilibrou-no-nariz-do-tubarao-para-fugir-do-ataqueBENTO = TUBARÃO
MARIANA = FOCA

Com o dedão meio mordido e o animal ensandecido atrás de mim, me despenquei a tempo de chegar até a privada do banheiro.

200369802-001ABRAÇADA NELA FIQUEI UM BOM TEMPO

Voltei para a cama, voltei para a abraçar a privada, voltei para a cama, voltei a abraçar a privada, voltei para a cama, fui até a cozinha, fiz um chá verde, sentei na cama. Olhei no relógio: 5h30 da manhã. Ouvi a porta de casa abrindo. Era meu respectivo marido chegando de viagem. Entrou no quarto e deparou com aquela cena: um animal dormindo de pelotas e sua amada esposa agonizando em cima da cama enjoada e com o dedão mordido.

bento-de-pelotas3NINGUÉM MANDOU INVENTAR SPAGHETTI DE PALMITO

mulher-doidissima1NÃO POSSO LEMBRAR DO SPAGHETTI DE PUPUNHA

bento1DEPOIS NÃO SABE PORQUE EU GOSTO TANTO DE IR AO PUPPI BAGGIO

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Mari Kalil

Mari Kalil

Sou escritora, jornalista, colunista da Band TV e Band News FM e autora dos livros "Peregrina de araque", "Vida peregrina" e "Tudo tem uma primeira vez". Sou gaúcha, nasci em Porto Alegre, vivo em Porto Alegre, mas com os olhos voltados para o mundo. Já morei em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Barcelona. Já fui repórter, editora, colunista. Trabalhei nos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil; nas revistas Época e IstoÉ e fui correspondente da BBC na Espanha, onde cursei pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona. O blog Mari Kalil Por Aí é direcionado a todas as mulheres que, como eu, querem descomplicar a vida e ficar por dentro de tudo aquilo que possa trazer bem-estar, felicidade e paz interior. É para se divertir, para entender de moda, de beleza, para conhecer lugares, deliciar-se com boa gastronomia, mas, acima de tudo, para valorizar as pequenas grandes coisas que estão disponíveis ao redor: as coisas simples e boas.

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