Questão de fezes

Eu sei que não é um dos assuntos mais palatáveis se você, caro leitor ou leitora, estiver neste momento, como diz meu amigo David Coimbra, “sorvendo” um cálice de vinho tinto na hora do almoço ou mesmo passando requeijão light na sua torrada com peito de peru durante o café da manhã. Mas eu preciso colocar este assunto em debate, uma vez que ele é parte integrante da minha rotina.

13 por ai 16O QUE FAZER COM O COCÔ DO ANIMAL?

bento1SABIA QUE IA SOBRAR PRA MIM

Não posso reclamar do Bento. Ele não faz nenhuma sujeira dentro de casa. Nunca fez. Ao contrário de umas e outras e por aí.

olivia10SABIA QUE IA SOBRAR PRA MIM

Os bolsos dos meus casacos estão sempre cheios de saquinhos para recolher os dejetos do animal pela rua durante os passeios. Sempre foi uma prática minha, mesmo antes do novo Código Municipal de Limpeza Urbana, que entrou em vigor em abril em Porto Alegre e que prevê multa de R$ 263,82 para quem não recolher o cocô na calçada.

mi_5340231444554089COCÔ BEM SALGADO ESSE….

Dia desses, caminhava com umas amigas e com o animal à tiracolo, quando ele foi até um canteiro e fez o cocô. Imediatamente, saquei o saquinho plástico do bolso e me embrenhei no meio da grama para recolher. Ao que uma delas questionou:
– Por que tu vai recolher o cocô, Mariana?
– Ora, por quê? Porque é lei! Se não recolher, sou multada. Além do mais, estou sujando a cidade e colaborando com a proliferação de bactérias deixando o cocô no chão.
– Mas o cocô não está na calçada, está na grama e logo vai virar adubo – uma delas rebateu.
– E tem mais – disse a outra: – Ao usar este saco plástico para recolher, tu está comprometendo muito mais o meio ambiente, porque vai colocar o cocô no saco, vai depositar o saco no lixo e ele vai demorar anos para se decompor.

bento1MEU COCÔ VIROU DEBATE NO MEIO DA RUA

olivia10POR ISSO QUE EU FAÇO COCÔ DENTRO DE CASA

Vamos combinar que os lixos dos parques e das ruas são mesmo nojentos de tantos saquinhos com cocôs de cachorro. Em Toronto, no Canadá, descobriram que 23 a 27% do lixo nos parques é de cachorros. Por lá, disseminaram a ideia de que a atitude mais ecológica é levar para casa, jogar no vaso e dar descarga (sem a sacolinha) para que seja tratado junto com os dejetos humanos.

13 por ai 9ERA SÓ O QUE ME FALTAVA GUARDAR COCÔ NO BOLSO

Ahhhhhhh!!POR QUE TU NÃO USA JORNAL, MARIANA?

Porque ao contrário do que tu e muita gente pensa, sujar jornal com dejetos orgânicos impossibilita sua reciclagem.

woman-questionQUAL É A SOLUÇÃO, ENTÃO?

A solução mais apropriada seria eu sair por aí com uma pá a recolher as fezes do Bento. Então eu voltaria para casa com essa pá cheia de fezes e depositaria direto na privada – e elas seriam encaminhadas para tratamento de esgoto junto com as fezes humanas.

mulher-vomitandoO PROBLEMA É CHEGAR ATÉ EM CASA

Recentemente, a Ludmila, fã do Bento, leitora da coluna e do blog e proprietária do Grupo LZ,  empresa que fabrica esses dispensadores espalhados pela cidade com saquinhos à disposição, perguntou se poderia usar uma foto do animal em pontos ainda não comercializados.
– Claro que sim! Será uma honra! – respondi.

BENTO DISPENSADORAQUI ESTÁ O ANIMAL NAS RUAS DO MOINHOS DE VENTO

bento1ESTOU FAMOSO

Perguntei para a Ludmila sobre os saquinhos dos dispensadores. Ela respondeu: “Os nossos saquinhos são mais ‘politicamente corretos’ do que as sacolas plásticas dos supermercados, mas não são o mais ideal. O ideal seriam saquinhos biodegradáveis. Já orçamos, mas isso tornaria o projeto inviável em função do altíssimo custo dessa tecnologia. Nossos saquinhos são feitos de matéria prima reciclada e o plástico utilizado é de baixíssima qualidade. Se decompõem mais rápido que sacolas plásticas de supermercado, porém não se decompõem tão rapidamente quanto plástico biodegradável.  Fica realmente complicado implantar outro modelo de material e equipamento que o custo seja administrável e o equipamento seja seguro contra vandalismo do material, roubo etc.”

mulher-nova-gritando-feliz-thumb894324812FALA DOS MODELOS QUE INSPIRARAM A LUDMILA, MARIANA!

Esse modelo de dispensador de saquinhos de Porto Alegre, foi inspirado no modelo que a Prefeitura da cidade de Lisboa utiliza. Fora Lisboa, diversas cidades da França e Estados Unidos também utilizam o mesmo modelo com saquinhos semelhantes. Lá também o descarte do saquinho é feito no lixo orgânico e o destino são aterros sanitários ou incineradoras de lixo.

Carmel IVEM CARMEL, NA CALIFÓRNIA

MonacoEM MÔNACO

bento1MINHA FAMA É INTERNACIONAL

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Mari Kalil

Mari Kalil

Sou escritora, jornalista, colunista da Band TV e Band News FM e autora dos livros "Peregrina de araque", "Vida peregrina" e "Tudo tem uma primeira vez". Sou gaúcha, nasci em Porto Alegre, vivo em Porto Alegre, mas com os olhos voltados para o mundo. Já morei em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Barcelona. Já fui repórter, editora, colunista. Trabalhei nos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil; nas revistas Época e IstoÉ e fui correspondente da BBC na Espanha, onde cursei pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona. O blog Mari Kalil Por Aí é direcionado a todas as mulheres que, como eu, querem descomplicar a vida e ficar por dentro de tudo aquilo que possa trazer bem-estar, felicidade e paz interior. É para se divertir, para entender de moda, de beleza, para conhecer lugares, deliciar-se com boa gastronomia, mas, acima de tudo, para valorizar as pequenas grandes coisas que estão disponíveis ao redor: as coisas simples e boas.

Sem comentários ainda.
  1. MARIANA

    fiquei muito feliz por você abordar esse assunto pois no bairro Menino Deus – principalmente em dias quentes – o cheiro da rua é insuportável. Até pesquisei um saquinho “ecológico” para sugerir ao pessoal do condomínio. Aí vai a dica para quem quiser: http://www.katakaka.com.br. Ab. para o Bento e pra vc.

  2. Ai Mariana! Não me diz que jornal não pode ser reciclado se for usado para juntar o cocô! Eu usava (e na verdade usei até hoje pela manhã bem cedo) pra juntar o cocô do meu cão amado, achando que estava super contribuindo com o meio ambiente! Aff! E agora???? Vou ter que comprar uma pá!

  3. Na vdd, Mariana, como os saquinhos biodegradáveis são caros, acho que tem que achar a solução menos pior.
    Carregar o cocô numa pazinha até em casa, que pode ser um longo caminho, eu descarto de cara… Daí, entre jogar fora num saquinho plástico que demora eras pra se acabar e deixar de reciclar uma página de jornal, prefiro a segunda opção. Me dou trabalho de recortar as folhas…
    Mas se não fossem tão caros os saquinhos biodegradáveis, compraria.

    Bjo pra ti e uma cosquinha na barriga do Bento e da linda Olívia

  4. Mari, deixa o Cocô na grama , como tuas amigas disseram, também não dá. Não é nada agradável pisar em cocô. Dá vontade de chamar a atenção de alguns “pais” que não recolhem as fezes do seu animalzinho.

  5. Mari, confesso que apesar de realmente achar o valor um tanto quanto “salgado”, o meu Bento passeia com seus saquinhos biodegradáveis preso a guia, para não ter perigo de esquecer e pra que eu possa dar uma pequena contribuição pro planeta, já que peco em tantas outras coisas.
    Acho que é uma “investimento” que vale a pena 😉
    Beijo

  6. Oi Mariana, adoro ler tua coluna. Tive um cachorrinho, o qual eu era apaixonada. O nome dele era Xodó. Viveu 15 anos, e ainda lembro muito dele. Espero todos os sábados a chegada do jornal, para poder ler tuas histórias com o Bento. Quanto a questão das fezes, acho que eu fazia o recolhimento de um jeito ecológico: levava sempre um saquinho e um pedaço de papel higiênico. Recolhia com o papel e colocava no saquinho. chegando em casa despejava o papel com o cocô no vaso e reutilizava o saquinho várias vezes. Considere-se abraçada!

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