SPFW: o dia foi de Reinaldo Lourenço

Acabo de dar o quinto espirro de uma série que ainda vai se estender por alguns minutos. Sim, o clima que faz em SP em pleno verão de janeiro combina com o inverno 2012 (dei mais seis espirros até aqui). Faz frio e, somando o ar condicionado, a gripe é iminente. Mas muito bem: fato é que hoje, como disse ontem, acordei cedo, tomei café, fiz ioga e parti entusiasmada rumo ao desfile de Reinaldo Lourenço. E que desfile!

REINALDO LOURENÇO

A inspiração de Reinaldo veio de algo que eu acho que rende muitíssimo pano pra manga: as catedrais. Por favor, já pararam pra observar os vitrais, o chão, as janelas.. Tudo em uma catedral é de uma riqueza absurda. Não por acaso sou tão fã da obra Os Pilares da Terra (tem que ler!). Pois bem, Reinaldo resolveu se inspirar na Catedral de Notre Dame, que completa 850 anos em 2013.

O que aconteceu: um clima gótico chique invadiu a passarela, com um clima total de mistério e uma trilha sonora que mesclava as batidas de um sino de catedral. Preto foi a cor que deu o tom do desfile. Eu amei os capuzes com pele falsa, a onipresente saia-lápis (muito feminina), as joias de Jack Vartanian e, sobretudo, o que já tinha falado na página de ZH de s;abado: as bolsas de mão com formato dos incensários usados pelos padres.

ELLUS

A melhor coisa do desfile da Ellus? A osquestra que se apresentou ao vivo assinando a trilha sonora. De arrepiar. O que eu penso sobre a Ellus: que é uma incrível marca de jeanswear e que deveria investir nesse conceito mostrando o que sabe fazer de melhor. Só que para a próxima estação ela resolveu ir bem além e eu achei meio confuso.

Apareceram mix de texturas com brilhos, estampas de correntes, peles nas golas dos casacos, inspiração em vikings e heavy metals… Gostei muito da proposta das maxi clutches que abrigam tudo o que a gente quiser levar. E sobre o que a Ellus sabe fazer de melhor, vale dizer que o jeans vem sarjado com uma pelica brilhante por cima.

MARIO QUEIROZ

Gostei de Mario Queiroz pelo seguinte: parece que ele andou lendo meus pensamentos sobre “moda investimento” versus “fast fashion”.

– Minha intenção com esta coleção foi tornar a roupa mais especial e andar na contramão do fast fashion – disse.

Era tudo o que eu precisava ouvir para sacramentar uma máxima em que acredito cada vez mais e mais.

Mario é especialista em alfaiataria masculina e resolveu investir o talento também no guarda-roupa feminino. Acertou a mão. Investiu bastante em bordados e deu a entender a premissa que eu defendo com unhas e dentes: a de que as pessoas devem olhar mais para dentro de si e do seu próprio guarda-roupa e investir em peças que tenham a ver com a própria personalidade, em peças utilitárias, que contribuam para a rotina, para a vida como ela é.

HUIS CLOS

Adoro Huis Clos, sempre tenho certeza de que vou ver um desfile-desejo, daqueles que dá vontade de sair usando todas as propostas da grife. Não foi diferente agora. A pegada dela veio voltada para as lingeries com leitura vintage e chique, muito chique, como sempre. Veludo e malha fizeram o mix da temporada, e a grife colocou em cena um dos hits do inverno, já festejado pelas experts em moda: o conjuntinho.

E esse conjuntinho é bastante eclético. Aparece combinado, por exemplo, com diferentes variações de calças, como a legging, o shortinho e a hot pant. Outra ideia interessante da grife foi a valorização dos ombros. A cartela suave de cores tambëm teve ponto alto. Adorei o verde água.

SAMUEL CIRNANSCK

Na edição passado do SPFW Samuel Cirnansck não foi nada feliz ao mostrar modelos amordaçadas. Ainda bem que não evoluiu na ideia. Mudou a trajetória. Desta vez, apostou na figura feminina sem fetichismos, com vestidos longos, peles e joias em formas de cristais tchecos.


A maquiagem pesada não tinha se manifestado até então na temporada de moda.

Bom, ficamos por aqui. Neste domingo sigo com Cavalera, Jefferson Kullig, Fause Haten, Juliana Jabour e Colcci.

Ahhh… a Colci. Chega a dar até uma certa preguiça imaginar repórteres desesperados atrás de Ashton Kutcher ( que verá o desfile na primeira fila) e Alessandra Ambrosio (grávida). Mas, enfim, c’est la vie…

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