Três livros para as férias

Tenho separados na estante três livros que levarei para as férias de fim de ano que se avizinha. Nenhum deles eu comprei. Todos ganhei. Ganhei de pessoas que me conhecem muito e que me conheceram bem pouco, mas que, sabe-se lá o porquê, lembraram de mim – e acho isso uma das coisas mais valiosas: vou me descobrir um pouco mais por meio do olhar de gente que vive cerca de mim. E o mais importante: gente que me quer bem.

Da série #ficaadica para vocês também, são eles.
Olha!

a_menina_que_roubava_livrosA MENINA QUE ROUBAVA LIVROS, DE MARKUS ZUSAK
Ganhei da minha querida amiga Bete Duarte

A narrativa se passa na Alemanha, 1939, sinônimo de nazismo, guerra e mortes. A narradora personagem-observadora do autor é a Morte, uma entidade que, contrariando o senso comum, consegue apresentar humor, tristeza, horror e poesia em doses iguais. Escreve a crítica literária Thaís Scuissiatto: “Só isso já demonstra uma criatividade enorme do autor, mas, com o progresso da leitura, ele se supera cada vez mais em originalidade e capacidade literária. Cada frase aparenta ter sido lapidada até a perfeição”.

A história é complexa, dando voltas e voltas de forma que o leitor sabe desde o início qual será o final da narrativa. Isso não o impede de se chocar quando as páginas chegam ao fim. Esse é o maior trunfo de Zusak: surpreender o leitor a cada capítulo, cada página, a cada comentário perturbador da Morte sobre a vida da pequena Liesel Meminger – a menina que perde tudo, gradativamente, com a guerra. A primeira coisa que ela perde é a família biológica, sendo levada a morar com osua família adotiva que logo se torna a sua família verdadeira. A última coisa que ela perde é o livro que ela escreve sobre sua vida. Entre essas duas perdas, muitas coisas acontecem.

“A Menina que Roubava Livros” é considerada uma obra para suceder “O Diário de Anne Frank” como retrato do nazismo visto por olhos adolescentes, mas não é um livro para quem gosta de finais felizes. É um livro para quem consegue perceber que, depois de toda a dor, existe esperança.

image4QUEM É VOCÊ, ALASCA?, DE JOHN GREEN
Ganhei da editora Intrínseca, mas considero ter ganhado de uma aluna do colégio de Colorado, onde estive para um encontro literário a respeito de meus dois livros. Depois de uma manhã inteira com os alunos, enquanto autografava, ela aproximou-se de mim e perguntou: “Tu já leu o livro ‘Quem é Você, Alasca?'”. Respondi que não. E ela disse: “Acho que tu vai gostar. É parecido contigo”. Não preciso dizer que fiquei curiosa e, por ironia do destino, dois dias depois o livro desembarcava em cima da minha mesa como um recado divino de “você precisa ler, Mariana”

Antes de “A Culpa é das Estrelas” figurar nas listas de best-sellers do Brasil, de ser adaptado para o cinema e de ser escolhido o melhor livro de 2012 pela revista Time, o autor, John Green, lançava nos Estados Unidos, em 2005, “Quem é Você, Alasca?”, seu primeiro livro. O romance elogiado pelo The Guardian chegou agora às livrarias com nova tradução e também será adaptado para o cinema. O livro é inspirado na juventude do autor. O personagem Miles Halter leva uma vida sem graça e sem muitas emoções na Flórida. Ele tem um gosto peculiar: memorizar as últimas palavras de grandes personalidades da história. Uma dessas personalidades, François Rabelais, um escritor do século 15, disse em seu leito de morte que ia em “busca de um Grande Talvez”.

Para não ter que esperar o próprio fim para encontrar seu Grande Talvez, Miles decide fazer as malas e partir para um internato no Alabama, onde conhece Alasca Young. Ela tem em seu livro preferido, “O General em seu Labirinto”, de Gabriel García Márquez, a pergunta para a qual busca uma resposta: “Como vou sair desse labirinto?”. Apaixonante e intensa, Alasca traga Miles para seu mundo e o garoto vive suas primeiras experiências com cigarros, álcool e sexo. Apaixona-se por Alasca, e ela deixa marcas profundas em Miles quando eles são separados por uma tragédia.

hardbackstandingstraightA TERAPEUTA – UM ROMANCE SOBRE A ANSIEDADE, DE GASPAR HERNÁNDEZ
Ganhei da minha querida amiga Mari Scholze

Considerada pelo psiquiatra Augusto Cury como o mal do século, suplantando a depressão, a ansiedade acomete grande parte da população mundial e é neste cenário que o jornalista catalão Gaspar Hernández apresenta este livro. O personagem Hector Amat é um ator que sofre de ansiedade. Após testemunhar o assassinato de uma jovem, ele passa a não lembrar dos detalhes do acontecimento e tem dificuldade para trabalhar.

Para aliviar a ansiedade e recuperar a memória, Hector busca consulta com a psicóloga Eugenia Llort, que o tratou naquele momento de emergência. Logo, o contato entre os dois se transforma em uma relação de dependência que atinge limites incomuns. O escritor Gaspar Hernández pretende mostrar como a ansiedade é uma doença silenciosa que afeta aos poucos o indivíduo. O romance deseja denunciar como, saturados em meio a tanta informação, ansiosos por retornos rápidos, estamos cada vez mais dependentes e desconectados da realidade.

bento1TU VAI LER TODOS?

Não sei se vai dar tempo, mas vou tentar. Até porque não sou daquelas leitoras apegadas a livros, do tipo que começa e tem que terminar só porque começou. Se o livro não me prende, largo e passo para o próximo. No cinema, funciono da mesma forma. Se o filme me dá a sensação de estar perdendo tempo de vida fora da sala escura, sou a primeira a levantar e ir embora. Sem o menor sentimento de culpa.

bento1TOMARA QUE TU NÃO GOSTE DE NENHUM

Mas o que é isso, menino?

bento1SOBRA MAIS TEMPO PARA O MEU PASSEIO

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Mari Kalil

Mari Kalil

Sou escritora, jornalista, colunista da Band TV e Band News FM e autora dos livros "Peregrina de araque", "Vida peregrina" e "Tudo tem uma primeira vez". Sou gaúcha, nasci em Porto Alegre, vivo em Porto Alegre, mas com os olhos voltados para o mundo. Já morei em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Barcelona. Já fui repórter, editora, colunista. Trabalhei nos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil; nas revistas Época e IstoÉ e fui correspondente da BBC na Espanha, onde cursei pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona. O blog Mari Kalil Por Aí é direcionado a todas as mulheres que, como eu, querem descomplicar a vida e ficar por dentro de tudo aquilo que possa trazer bem-estar, felicidade e paz interior. É para se divertir, para entender de moda, de beleza, para conhecer lugares, deliciar-se com boa gastronomia, mas, acima de tudo, para valorizar as pequenas grandes coisas que estão disponíveis ao redor: as coisas simples e boas.

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