Vida longa ao papel

Uma das minhas resoluções para 2013 é me tornar uma pessoa menos apegada ao papel. Para mim, isso é um bocado difícil. Quer me ver feliz? Me apresenta uma papelaria. Sou capaz de ficar hoooooras lá dentro, escolhendo papeizinhos, Post-It coloridos, canetinhas, lápis de ponta grossa, de ponta fina, caderno de anotações de bolso, de bolsa, pequenos, médios grandes. Eu precisaria de pelo menos mais três encarnações para usar todos os bloquinhos e caderninhos e Moleskines que venho comprando e colecionando ao longo do tempo. Minha última paixão é a marca Paperblanks.

ESTE EU COMPREI E AINDA NÃO USEI

ESTA É MINHA MÃO SEGURANDO MINHA ATUAL PAIXÃO

REPAREM NO FECHO DE ALGUNS MODELOS!

EU TAMBÉM TENHO VONTADE DE CHORAR DE EMOÇÃO, CESAR CIELO

OLHA O ÚLTIMO LANÇAMENTO!

TIRA DA MINHA FRENTE, POR FAVOR!

Quase sofri um descontrole emocional nas minhas férias em Punta del Este. Em um belo dia de chuva (sim, sou daquelas pessoas que, depois de três dias seguidos de praia, clama aos céus por uma semana de chuva), resolvi entrar em uma loja que sempre havia passado despercebida pelos meus olhos: Kallalith.

OOOOHHH!
UM DOS RECANTOS DA KALLALITH

O RECANTO DE HÁ PAPELARIA DA KALLALITH!

A Kallalith não é só uma loja argentina. É uma das lojas mais lindas que eu já vi. Havia muito não ficava completamente desnorteada dentro de um lugar. Para a mais pura e completa integridade do meu saldo bancário, não liguei para avisar a Central de Atendimento do meu cartão de crédito que ia passar férias no Uruguai. Não sabia que precisava fazer isso. Aliás, nunca precisei. Já fui até a Jordânia com este mesmo cartão de crédito e comprei vários bloquinhos por lá. Não tive a mesma sorte aqui do lado.  O que aconteceu? Fiquei duas horas escolhendo quais bloquinhos e caderninhos levaria para casa.

E NA HORA DE PAGAR MEU CARTÃO BLOQUEOU

Já tentou falar com a administradora do seu cartão de crédito do Exterior?

NÃO QUEIRA!

No site, não existia telefone algum. Para não dizer que não tentei, mandei um email para aquele maldito Fale Conosco. Dois dias depois, veio a confirmação de que tinham recebido minha solicitação. Outros dois dias depois chegou um email avisando “que eu tinha a opção de ligar a cobrar”.

NÃO ME DIGA!
E O NÚMERO, SERÁ QUE DÁ PRA INFORMAR?

Mais um dia se passou, e eu recebi o número.

E O TELEFONE, SERÁ QUE DÁ PRA ATENDER?

Minhas férias acabaram, cruzei a fronteira e disquei um número local, já que a tentativa de comprar um mísero caderninho bloqueou de vez meu cartão de crédito. O Antônio atendeu. Muito solícito o Antônio. Primeiro, impostou a voz para perguntar como assim eu não sabia que precisava avisar de todos os meus passos para a administradora do cartão? Em seguida, fez um interrogatório muito maior do que aquele que sofri na fronteira da Jordânia com Israel tentando explicar o que uma Kalil pretendia fazer em Jerusalém.

EU SÓ QUERIA COMPRAR ESTE CADERNINHO DE PASSARINHOS…

Toda a saga começou porque virei 2013 tentando me tornar uma pessoa mais tecnológica. Para isso, me dei de presente um iPad e troquei todas as minhas assinaturas de revistas em papel por assinaturas digitais. Deixei o iPad em casa fazendo download de uma dessas revistas, saí para passear, encontrei a Kallalith, meu cartão de crédito foi bloqueado e voltei para casa certa de que o download estava concluído.

TRÊS HORAS DEPOIS…

POR FAVOR, NÃO ME JOGA CONTRA A PAREDE!

EU SÓ QUERO SABER QUEM INVENTOU QUE O PAPEL VAI ACABAR?!


 

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Mari Kalil

Mari Kalil

Jornalista e escritora, Mariana Kalil é diretora de conteúdo do site MK e colunista do programa Band Mulher e da rádio Band News FM. É também autora dos livros "Peregrina de Araque (2011), "Vida Peregrina (2013) e "Tudo tem uma Primeira Vez" (2015), todos publicados pela editora Dublinense. Trabalhou das redações das revistas Época e IstoÉ Gente, dos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil e foi correspondente da BBC na Espanha, onde cursou pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona.

Sem comentários ainda.
  1. Adorei tudo…já passei por isto de cartão bloqueado no Uruguai tbm, além de estar com um tablet novo que não consigo fazer funcionar, cheguei a conclusão que não serve para nada. Tbm adoro um bloquinho. Beijos

  2. Adorei tudo…já passei por isto de cartão bloqueado no Uruguai tbm, além de estar com um tablet novo que não consigo fazer funcionar, cheguei a conclusão que não serve para nada. Tbm adoro um bloquinho. Beijos

  3. Foi uma pessoa muito, muito má e sem alma que nunca namorou uma capa, abriu um livro e o cheirou antes de ler. Tudo gente sem coração que acha que é a mesma coisa que ler em um quadrado fininho e frio sem nem uma páginazinha para virar ou fazer anotações de rodapé. :(
    E eu choro eternamente (nem vou falar nos moleskines pra não ficar deprimida…)

  4. Foi uma pessoa muito, muito má e sem alma que nunca namorou uma capa, abriu um livro e o cheirou antes de ler. Tudo gente sem coração que acha que é a mesma coisa que ler em um quadrado fininho e frio sem nem uma páginazinha para virar ou fazer anotações de rodapé. :(
    E eu choro eternamente (nem vou falar nos moleskines pra não ficar deprimida…)

  5. Olá! Ao ler sua coluna hoje, entendi perfeitamente o seu sentimento. Também comprei um iPad há quase um ano e fazer o download de um livro ou revista digital não é tarefa simples! Todos estes dispositivos digitais deveriam simplificar nossa vida mas não é assim que funciona! Eu comprei livros digitais em maio de 2012 na Saraiva e ainda estou brigando com eles porque não consegui fazer o download! Ago acontece com o adobe aqui na minha região o que impossibilita de abrir o Saraiva reader e eles não querem me mandar os arquivos em pdf dos livros para que eu possa abri em outro leitor! Nada como o bom e velho livro de papel!

  6. Olá! Ao ler sua coluna hoje, entendi perfeitamente o seu sentimento. Também comprei um iPad há quase um ano e fazer o download de um livro ou revista digital não é tarefa simples! Todos estes dispositivos digitais deveriam simplificar nossa vida mas não é assim que funciona! Eu comprei livros digitais em maio de 2012 na Saraiva e ainda estou brigando com eles porque não consegui fazer o download! Ago acontece com o adobe aqui na minha região o que impossibilita de abrir o Saraiva reader e eles não querem me mandar os arquivos em pdf dos livros para que eu possa abri em outro leitor! Nada como o bom e velho livro de papel!

  7. Só queria dizer que adoro tudo que escreves Mariana. Há pouco tempo descobri tua coluna na ZH, tb pq antes não comprava ZH era impossível lê-la. E agora resolvi dar uma olhadinha no teu blog e gostei muito. Escreves de um modo muito divertido e maravilhoso de ler, a impressão que tenho é de conhecser-te a vida toda, és bem humorada, crítica, sarcástica e muito inteligente. Agora que te descobri nunca mais vou te abandonar.
    Parabéns! Um abraço

  8. Só queria dizer que adoro tudo que escreves Mariana. Há pouco tempo descobri tua coluna na ZH, tb pq antes não comprava ZH era impossível lê-la. E agora resolvi dar uma olhadinha no teu blog e gostei muito. Escreves de um modo muito divertido e maravilhoso de ler, a impressão que tenho é de conhecser-te a vida toda, és bem humorada, crítica, sarcástica e muito inteligente. Agora que te descobri nunca mais vou te abandonar.
    Parabéns! Um abraço

  9. Olá Mariana, sou Alessandra, estou a passeio aqui por Porto Alegre. Li sua matéria “Vida Longa ao Papel” e adorei. Sou designer, formada há 12 anos e trabalho com design editorial, lá onde trabalho atualmente, conheci duas amigas muito queridas que possuem uma empresa linda, chamada As Papeleiras. Trabalho delas é fantástico lá em Brasília e serve para mostrar iniciativas muito boas de negócios que dão certo quando se ama o que faz e elas são a prova de que o PAPEL NÃO VAI ACABAR, se depender de trabalhos lindos como esses. Elas realizam oficinas de encadernação manual artística em Brasília e em outras cidades também, é só surgirem boas oportunidades. Quem sabe não seria uma boa idéia você conhecê-las! Elas nem sabem ainda que estou escrevendo esse e-mail a você, mas como sou muito fã do trabalho delas e também amo uma bela arte em papel, acredito que é muito bom, espalhar por esse Brasil a fora, trabalhos lindos como esses. Caso queira procurar no Google pelo nome As Papeleiras, irá encontrar. Vale a pena dar uma conferida e saber que muitas pessoas, assim como você e eu, ainda amam o PAPEL. Um grande abraço! Ale

  10. Olá Mariana, sou Alessandra, estou a passeio aqui por Porto Alegre. Li sua matéria “Vida Longa ao Papel” e adorei. Sou designer, formada há 12 anos e trabalho com design editorial, lá onde trabalho atualmente, conheci duas amigas muito queridas que possuem uma empresa linda, chamada As Papeleiras. Trabalho delas é fantástico lá em Brasília e serve para mostrar iniciativas muito boas de negócios que dão certo quando se ama o que faz e elas são a prova de que o PAPEL NÃO VAI ACABAR, se depender de trabalhos lindos como esses. Elas realizam oficinas de encadernação manual artística em Brasília e em outras cidades também, é só surgirem boas oportunidades. Quem sabe não seria uma boa idéia você conhecê-las! Elas nem sabem ainda que estou escrevendo esse e-mail a você, mas como sou muito fã do trabalho delas e também amo uma bela arte em papel, acredito que é muito bom, espalhar por esse Brasil a fora, trabalhos lindos como esses. Caso queira procurar no Google pelo nome As Papeleiras, irá encontrar. Vale a pena dar uma conferida e saber que muitas pessoas, assim como você e eu, ainda amam o PAPEL. Um grande abraço! Ale

  11. Mariana, estou há um tempão pra te escrever para dizer que sou tua mega fã e que A DO RO tua coluna no Donna. Hoje, me encontrei comigo mesma no assunto Paperblanks. Conheci a marca saindo de Bangcoc (!) e quase enlouqueci. Dei uma cadernetinha de gatos (aquela ali, a que mostras) para uma amiga e, para nosso secretário de cultura, o Assis Brasil, “importei” de uma loja do Paraná uma cadernetinha com a assinatura do Mozart (o Assis é louco pelo Mozart). Tenho alucinações com essas cadernetinhas. E deixa eu te falar um outro troço, agora com relação a teu Iphone que “apaga”. Finalmente, depois de resistir heroicamente a todos os apelos e viver por 4 anos com meu Blackberry, comprei um Iphone 5. Troquei de plano na Vivo e paguei 1.500,00 pelo meu. Branquinho, lindo. Depois de duas semanas de uso, aconteceu: 80% da bateria e apagão total. E nem com o carregador a josca carrega. Tá lá na assitência técnica da Apple (quem falou que os aparelhos não estragam e que eles trocam se dá crepe?). Voltei ao Blackberry. Que nunca deu apagão e nem me deixou na mão. Parab
    éns, again. Mega beijo,
    CM

  12. Mariana, estou há um tempão pra te escrever para dizer que sou tua mega fã e que A DO RO tua coluna no Donna. Hoje, me encontrei comigo mesma no assunto Paperblanks. Conheci a marca saindo de Bangcoc (!) e quase enlouqueci. Dei uma cadernetinha de gatos (aquela ali, a que mostras) para uma amiga e, para nosso secretário de cultura, o Assis Brasil, “importei” de uma loja do Paraná uma cadernetinha com a assinatura do Mozart (o Assis é louco pelo Mozart). Tenho alucinações com essas cadernetinhas. E deixa eu te falar um outro troço, agora com relação a teu Iphone que “apaga”. Finalmente, depois de resistir heroicamente a todos os apelos e viver por 4 anos com meu Blackberry, comprei um Iphone 5. Troquei de plano na Vivo e paguei 1.500,00 pelo meu. Branquinho, lindo. Depois de duas semanas de uso, aconteceu: 80% da bateria e apagão total. E nem com o carregador a josca carrega. Tá lá na assitência técnica da Apple (quem falou que os aparelhos não estragam e que eles trocam se dá crepe?). Voltei ao Blackberry. Que nunca deu apagão e nem me deixou na mão. Parab
    éns, again. Mega beijo,
    CM

  13. Cintia! Que alegria receber teu email. A admiração é recíproca, eu estou absolutamente desnorteada por todos os Paperblanks e incrédula com tua experiência com o iPhone5. É agora que arrumo o meu de qquer jeito. Ou me bandeio pra família Blackberry. Bjo grande. MK

  14. Cintia! Que alegria receber teu email. A admiração é recíproca, eu estou absolutamente desnorteada por todos os Paperblanks e incrédula com tua experiência com o iPhone5. É agora que arrumo o meu de qquer jeito. Ou me bandeio pra família Blackberry. Bjo grande. MK

  15. Mariana, adoro tuas crônicas. Divirto-me com as imagens que colocas interferindo em teu texto, a tua espontaneidade ao escrever. Já estava há algum tempo querendo te dizer como é agradável ler o que publicas. Como sou professora de Português, acredito que minha principal função é encantar meus alunos para que escrevam. E sempre defendo que o escritor deve encantar o leitor. É o que fazes. Um abraço carinhoso.

  16. Mariana, adoro tuas crônicas. Divirto-me com as imagens que colocas interferindo em teu texto, a tua espontaneidade ao escrever. Já estava há algum tempo querendo te dizer como é agradável ler o que publicas. Como sou professora de Português, acredito que minha principal função é encantar meus alunos para que escrevam. E sempre defendo que o escritor deve encantar o leitor. É o que fazes. Um abraço carinhoso.

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  • Né?!👌🏻#simplesassim #bekind
  • “Nunca mais me convida pra pegar praia em José Ignacio.” #gorda #reportergorducha
  • Dia de praia no @lachozademarparador. Viaja até José Ignacio, caminha na areia quente, procura guarda-sol, carrega geleira, sacola, mochila, faz reportagem para o Band Mulher e sorri pra foto! 🤣🐶
  • Bento envelheceu. Não foi do dia para a noite. Trata-se de um envelhecimento gradativo. Uma enfermidade aqui, uma coisinha crônica acolá – e há uns bons cinco anos vamos levando esses percalços da velhice com acompanhamento veterinário, exames de rotina, troca de medicações, mas sobretudo, com amor, cuidado, amizade, lealdade e fé. Neste último ano, mais precisamente nos últimos meses, Bento deixou de ser um cachorrinho vivaz, de olhos espertos e comportamento ágil para se transformar em um senhor de seus lá 95 anos (equivalente à idade humana) que requer uma série de cuidados e a minha presença e atenção 24 horas por dia. O diagnóstico complicou, como costumam complicar os diagnósticos à medida que a idade avança, e através do olhar do Bento eu enxergo diariamente o reflexo da finitude da vida. Não pode existir sofrimento maior para um dono de cachorro do que essa despedida diária. A cada dia, menos um dia. A cada dia, também uma surpresa. Um dia feliz, caminhando melhor, disposto, com apetite e sorrisos. No dia seguinte, sono, muito sono, xixi nas calças, olhar distante, cabecinha para o lado e alheio ao mundo ao redor. Um dia vivaz; noutro, senil. Deveria ser proibido pela natureza vivermos tal experiência. Bento significa para mim muito mais do que um dos meus grandes melhores amigos.
É meu companheiro de jornada por uma vida de altos e baixos, cheia de mudanças e reinvenções – e da qual foi testemunha ocular e grande conselheiro. Nos conhecemos quando ele tinha 30 dias de vida e desde então cruzamos oceanos até. O que eu quero que ele saiba – e o que eu sei que ele sabe – é que estarei sempre aqui. E hoje estamos aqui. E assim seguiremos juntos. Com sorrisos e mãos dadas. Até o fim. Porque a única certeza que temos é a de que o fim chega para todos nós. E com ele um novo renascer.🐶♥️🙏🏻 #bento #xerife #18anos #companheirodejornada
  • Muito havia ouvido falar de que filhos de nossas irmãs são nossos filhos também. Mas a teoria sempre só faz sentido quando a realidade se confirma. Quando João Benício nasceu, me tornei tia – e ser tia é o maior presente que um irmão e uma irmã podem nos dar. Ser tia é descobrir a maternidade de outra forma, é descobrir um amor que não sabíamos que existia. Quando me tornei tia, passei a enxergar as crianças sob outra ótica, com mais ternura e paciência. Passei a entender também a falta de paciência das mães em muitos momentos. Quando me tornei tia, passei a sentir mais saudade, passei a beijar e a abraçar mais. Passei a me preocupar mais com a humanidade, com o futuro, com o legado das pessoas e das coisas. Quando João nasceu, me tornei um ser humano melhor. Ser tia é amar profundamente uma pessoa que parece ter saído de dentro de nós. É encontrar tempo onde antes só havia falta de tempo. É segurar no colo, é não sentir dor no braço, é aguentar sem reclamar a dor nas costas. É deixar a garrafa de vinho e o Netflix de lado numa sexta-feira à noite para deitar ao lado de quem insiste em se manter acordado. Tias também são mães, são capazes de amar como mães. Tias são a segurança das mães de que, em qualquer ausência delas, amor é o que jamais faltará. Porto Alegre, agosto de 2015. #joãobenicio #amordatia #amordadinda
  • Gula é o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida. Pecado capital, viu Gorda?