A última aquisição

Ontem, me prometi que ia ao supermercado e voltaria de lá sem nenhum “plus a mais”. Ou seja: compraria somente o necessário. Não que eu seja uma louca consumista que compra tudo o que enxerga pela frente, longe disso. Mas tenho mania de sempre colocar no carrinho um queijinho diferente, um vinho fora do orçamento… Enfim, um mimo que eu acho que mereço, sobretudo quando vou ao supermercado após um dia exaustivo de trabalho. Ontem, foi a vez desta lata de Sonho de Valsa.

***

Estou beeeeem distante do fanatismo da minha irmã por Sonho de Valsa. Ela é daquelas que sofre diante de uma lata dessas, sabe assim? É que não consegue comer um só. Então ela come todos e depois fica atirada no sofá, com as mãos na cabeça, se punindo. Ela é tão fanática por Sonho de Valsa que criou até um ritual, desde criança é assim: primeiro, come a casquinha do Sonho de Valsa; e vai fazendo uma fileira dos recheios. “Porque tem que deixar o melhor por último”, é o que ela alega. Assim que terminam os bombons, ela passa a devorar todos os recheios enfileirados. Quando eu e meu irmãos éramos pequenos e queríamos implicar com ela, passávamos correndo e roubávamos os recheios que ela estava empilhando enquanto mastigava as casquinhas. Era uma choradeira e uma gritaria sem fim.
***
Já me estendi de novo, o que eu ia contar era sobre o supermercado. Bom, voltei de lá com a lata de Sonho de Valsa. Na verdade, o bombom era o que menos me importava. Eu queria era a lata. Cheguei em casa, tirei todos os bombons de dentro e coloquei umas tralhas que estavam soltas na cozinha dentro da lata – e a lata em destaque na prateleira.
– Outra lata? – perguntou meu marido, enquanto abria a geladeira.
– Como assim “outra lata”? Quais são as outras latas? – perguntei.
– Como quais são as outras latas? Olha para essa cozinha! Olha para dentro da geladeira! É lata que não tem fim! – respondeu ele, enquanto saía caminhando, comendo um cacho de uva.
***
Fiquei parada no meio da cozinha, refletindo. “Outra lata?”. Mas a que “tanta lata” ele se refere? Então, passei a olhar ao redor. E fiquei apavorada. Meu marido tinha razão. Eu sou uma fanática por latas. Quer ver? Rola o mouse.

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Mari Kalil

Mari Kalil

Sou escritora, jornalista, colunista da Band TV e Band News FM e autora dos livros "Peregrina de araque", "Vida peregrina" e "Tudo tem uma primeira vez". Sou gaúcha, nasci em Porto Alegre, vivo em Porto Alegre, mas com os olhos voltados para o mundo. Já morei em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Barcelona. Já fui repórter, editora, colunista. Trabalhei nos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil; nas revistas Época e IstoÉ e fui correspondente da BBC na Espanha, onde cursei pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona. O blog Mari Kalil Por Aí é direcionado a todas as mulheres que, como eu, querem descomplicar a vida e ficar por dentro de tudo aquilo que possa trazer bem-estar, felicidade e paz interior. É para se divertir, para entender de moda, de beleza, para conhecer lugares, deliciar-se com boa gastronomia, mas, acima de tudo, para valorizar as pequenas grandes coisas que estão disponíveis ao redor: as coisas simples e boas.

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