Leituras para quem gosta de investigar

Há duas madrugadas adquiri o hábito de estalar os olhos por volta de 2h45, 3h da matina. Na madrugada de quarta para quinta, virei, revirei, revirei, virei… A cabeça começou a trabalhar, entrou num alucinante ritmo criativo, pensei em levantar para colocar as ideias no papel, mas caí em mim, acendi a luz da mesinha de cabeceira, acordei o Chico com a luminosidade, fiquei com remorso, desliguei correndo, fiquei estaqueada de barriga para cima, olhando para o teto, esperando que ele voltasse a dormir, ele dormiu, fiquei pensando como faria para ler sem a luz da mesinha de cabeceira, lembrei do maravilhoso mundo dos aplicativos, baixei uma lanterna de LED no celular, me senti a pessoa mais inteligente do mundo e puxei meu atual livro de cabeceira.

119534712_1GG“Indefensável – O Goleiro Bruno e a História da Morte de Elisa Samudio”, dos jornalistas Leslie Leitão, Paula Sarapu e Paulo Carvalho

Se eu não tinha nada mais suave para ler de madrugada em vez da história de um jogador bipolar e de sua namorada retalhada e atirada aos animais? Pois é. Pensei sobre isso. Mas eu havia lido uma crítica sobre este livro na Veja e fiquei curiosa. Então, comprei no domingo, na Saraiva do Barra Shopping Sul, depois de almoçar com entrecot com batatas e alecrim no Bah.

alto-la12CALMA, NÃO VOU COMEÇAR A FALAR DE COMIDA

“Indefensável” nada mais é do que uma grande reportagem com passagens inéditas de toda a história bárbara que todo mundo já conhece um pouco. E é por isso que atraiu minha curiosidade. Porque sou jornalista e gosto de ler sobre reportagens com potencial para se tornarem livros. Desta série de predileções, trago outras leituras ao longo da vida, algumas nada suaves também. Mas que recomendo a quem gosta desse tipo de livro.

imagemdllROTA 66, do jornalista Caco Barcellos, atual apresentador do programa Profissão Repórter. Li este livro na década de 90, quando ainda estava na faculdade de jornalismo e planejava seguir a carreira investigativa. Sim, tive uma fase em que queria ser repórter da área policial (quando trabalhei na revista Época, em São Paulo, matei esse desejo em duas reportagens e já achei suficiente).

É um baita livro, muito bem escrito e apurado pelo Caco. Não se esperaria outra coisa dele mesmo. Ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Reportagem, em 1993. Trata do assassinato de um grupo de jovens de classe média de São Paulo por uma ação de uma das unidades da Rota, a polícia paulista. A partir desse ponto, o fato torna-se elo entre tantos outros assassinatos sem explicação realizados pela polícia militar de SP (mais ou menos o que acontece hoje no Rio de Janeiro).

imagemddllABUSADO – O DONO DO MORRO DONA MARTA, outro livro de Caco Barcellos (sim, gosto bastante de Caco Barcellos). Lançado 10 anos depois do jornalista ter conquistado o Jabuti com Rota 66.

É mais um livro reportagem investigativo que conta a história de Juliano VP, o nome fictício de Marco Amaro de Oliveira, traficante carioca criado na favela Dona Marta, no Rio. O livro é considerado uma das obras mais polêmicas de Caco, pois mostra uma fase até então desconhecida da sociedade: o lado humano dos bandidos e traficantes.

092013ONOTÍCIA DE UM SEQUESTRO, de Gabriel García Márquez. Um livro que está entre os meus top 10 de todos os tempos e que li duas vezes.

Data de 1996.  Gabriel García Márquez fez uma pesquisa minuciosa antes de escrever este livro. Colheu depoimentos de dezenas de pessoas envolvidas no drama de sequestros ocorridos na Colômbia em 1990, inclusive um deles ocorrido com uma amiga próxima. Ele faz com maestria o que eu acho divino: mescla histórias reais com ficção – com o objetivo de mostrar as diversas facetas da dramática situação vivida na Colômbia, especificamente a guerra do tráfico de drogas.

O livro é cheio de ação, daqueles que a gente não consegue largar, sabe assim? Márquez  focaliza a narrativa tanto no cotidiano dos cativeiros como nas negociações entre traficantes, nos parentes das vítimas e nas repercussões da vida dos colombianos.

bento1TU TINHA UMA COISA PRA ME CONTAR, LEMBRA?

mulher-rezando-o-terco-vermelhoME AJUDA, SENHOR…

bento1FALA LOGO

mulher-rezando-o-terco-vermelhoDE QUE FORMA VOU FAZER ISSO, SENHOR…

bento1É SOBRE O EDSON?

mulher-rezando-o-terco-vermelhoÉ…

bento1ESTOU DOS PREPARADOS

Pois eu consegui o celular do Edson Celulari e estava com todo aquele discurso que a gente tinha combinado na ponta da língua: que a gente precisava negociar, pois a série Animal não poderia entrar no ar no próximo dia 6, visto que o Animal verdadeiro é o Bento e não o Edson e tal. Estava a ponto de ligar para tentar um acordo amigável, que, na pior das hipóteses, nos levaria a firmar um contrato para que esta primeira temporada fosse ao ar de qualquer jeito, mas que na segunda tu fosse o protagonista e ele fizesse outro papel.

bento1E…?

panic-attackELE JÁ ASSINOU CONTRATO PARA SER PROTAGONISTA DA SEGUNDA TEMPORADA

bento1NÃO ACREDITO

panic-attackVERDADE

bento1NÃO FALO MAIS CONTIGO

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Sem comentários ainda.
  1. Oi Mari.

    Devorei estes dois livros do Caco Barcelos. Comecei com o Abusado e depois li o Rota. O mais incrível dos dois é o quanto eles podem despertar sentimentos contraditórios na gente, confrontando muitas vezes com os discursos nossos do tipo “bandido bom é bandido morto” e o quanto a gente consegue se indignar com tantas barbaridades relatadas no livro. Recomendo muito a leitura também.

    Abraço
    Jamile

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