Está lançado o desafio de sobreviver seis meses sem consumir!

Sou daquelas pessoas que raramente sai com o compromisso de comprar. Compro mesmo quando tenho a oportunidade ou quando me apaixono por alguma coisa. E, por azar, raramente gosto de uma regata basiquinha. Não, não. Meu olho clínico vai direto naquelas peças que sugam as moedas até o fim. Talvez seja por isso que não tenho muitas coisas (e também porque não sei acumular, mas falamos disso outra hora). Voltando ao foco: cada vez que compro esses itens pelos quais me apaixono enlouquecidamente, não sinto mais felicidade. Sinto, na verdade, um vazio e a grande pergunta soa lá dentro de mim: por quê??????????????

perguntas

Foi pensando na minha própria satisfação (de matar essa voz interior) nesta nossa sociedade cada vez mais saturada de tantas compras inúteis, na sustentabilidade deste planeta e, claro, na minha conta bancária em tempos que crise, que decidi adotar um desafio: 6 meses sem comprar! Não estou falando de passar fome, de não cuidar da casa e de nunca mais fazer as unhas ou pintar os cabelos (brancos de natureza, aliás).

camis sabe nada

Tenho lido alguns economistas dizerem que a evolução deste nosso capitalismo cheio de desigualdades pode estar na troca e em novas relações de consumo que não envolvam dinheiro. Também não é novo que as redes de fast fashion estão perdendo fôlego e a moda está voltando a ser um ciclo verdadeiro de inspiração em vez de pressão para produzir mais do mesmo e vender (corram para os brechós!). Acho que mais pessoas estão vivendo este momento comigo, um inconsciente coletivo causado pela culpa que sentimos de comprar sem sentido, de tentar achar felicidade onde não existe e por sermos irresponsáveis com o nosso mundo.

Vou compartilhar essa e outras aventuras de uma vida menos consumista e mais existencial aqui com vocês. Ah, e não pensem que vai ser fácil. Natal e Réveillon estão aí, no caminho tem o aniversário do meu marido, da minha enteada e do meu irmão mais velho. Vai ser difícil e haja criatividade, mas sei que uma vida com mais propósito vale mais do que um closet em dia. Tem muita gente que consegue e já conseguiu (criando até blogs para compartilhar. Eu não li ainda porque penso em encontrar minhas próprias soluções).

E se eu ainda não te convenci a questionar seus hábitos de consumo, por favor, procure este documentário The True Cost (O Preço Real).

Ele conta a história de pessoas que passam a vida, literalmente, costurando roupas que serão vendidas a preços baixos em redes de fast fashion. Quem compra fica feliz pelas pechinchas, mas esses baixos preços tem um alto custo humano: milhares de seres humanos que se sujeitam a baixíssimos salários para garantir apenas uma sobrevivência precária.

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Camila Tavares

Camila Tavares

Camila Tavares é esposa e ma(boa)drasta. Mora no Rio de Janeiro. Formada em jornalismo e direito, pegou gosto pelos negócios digitais e hoje preenche seu coração com conteúdo e estratégia.

8 Comentários
  1. Já consegui ficar quatro meses sem consumir roupas, sapatos e acessórios. Foi muito bom, tenho pensado em repetir a experiência.
    Me inspirei no blog umanosemzara, muito bom. Não costumo comprar para ocasiões especiais, uso o que tenho. Mas compro quando olho alguma peça e entro naquela de “temqueter”. Penso que rever nossos valores deve ser um exercício constante, força, foco e fé!n

  2. Que legal! No ano passado, fiz o mesmo desafio! Consegui ficar 11 meses sem comprar roupas, sapatos e maquiagens! Descobri roupas novíssimas no meu guarda-roupa, e outras formas de composição do look. Foi bem bacana! Boa sorte!!!

  3. Beee! Achei muito bacana a reiniciativa de escrever! Sucesso!
    Sobre o texto, achei direto e leve, mas ao mesmo tempo informativo e da vários ganchos q podem gerar tantos outros textos. Eu tenho um vicio em digressoes, o q torna meu raciocinio um pouco prolixo e as vezes leva a perda do foco, a ponto de nem me lembrar mais do q pretendia falar no inicio, haha. Acho q vc conseguiu controlar bem isso, mas sem matar os links para outros assuntos detivados no futuro.
    Parabens!! Bjos/saudades!

  4. Penso exatamente assim! De um tempo pra cá venho questionando essa necessidade (imposta) de consumo, onde seguidamente confundimos qualidade de vida com nível de consumo. Acredito que se as pessoas tivessem acesso ao conhecimento dos processos que envolvem a fabricação dos produtos que consumimos, muitas vezes se sentiriam envergonhadas de “precisar” de uma camiseta de cada cor ou uma bolsa da mesma tonalidade do sapato. Além da escassez dos recursos naturais, há ainda a contaminação do meio ambiente pelos dejetos do processo produtivo e se não bastasse, a condição social de um sem numero de trabalhadores explorados, todos os dias.

  5. Camila, obrigada pelo texto. Tenho pensado exatamente assim. Nunca fui consumista e mesmo comprando pouco, me sentia super mal. Vivemos na sociedade do consumo desnecessário. Mês passado participei de um desafio de não comprar nada durante um mês, não foi difícil, mas acho que 6 meses eu não encararia. Te desejo muita boa sorte!!!!

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  • Penteados e escovados para a primeira de muitas noites de autógrafos de Vida Peregrina, que me levaria à lista dos livros mais vendidos do país e confirmaria Bentolino como um dos personagens mais importantes da minha existência como escritora. Seis anos hoje. Saudade, Xerife. ❤️🐶📘 #tbt #2013 #vidaperegrina #livromarikalil
  • Éramos uma família de bageenses morando no Rio e nossa família multiplicava-se com mais bageenses que chegavam no Carnaval. Tudo começava ao cair do sol com um primeiro chope para brindar a união e terminava com corpos ao mar pra curar o ressacão. Lembrança do nosso primeiro bailinho em que eu me retorci para entrar em uma fantasia de odalisca tamanho 14 comprada em uma loja infantil de Ipanema. É que ainda estava borracha da noite anterior. Borrachos entendem. 🍺
Casa da @renatabrasilvidal e do @marcelogoskes; Rio de Janeiro, Carnaval 2006. #tbt
  • Ter o privilégio de passar horas e horas conhecendo muitas das minhas perseguidoras faz a gente mais feliz. Ser recebida com carinho pelo @centrocarinaborges, que abriu suas portas para este momento tão especial de beleza e amizade faz a gente mais feliz. Poder oferecer a excelência dos produtos da @farmathuia para as amigas da Mari faz a gente mais feliz. Servir os melhores quitutes fit da @feeljoy.com.br e a delícia do capuccino proteico do @mundoverdeiguatemipoa faz a gente mais feliz. Rodopiar com um vestido de seda floral da @boutiquemariahelena capaz de traduzir com maestria meu estado de espírito faz a gente mais feliz. Felicidade é encontrar alegria na alegria dos outros; felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente. Obrigada a todas que hoje fizeram meu dia muito, muito mais feliz! ✨🙏🏻❤️
  • Quem nunca aplicou uma dessas?! 👆🏻
  • Me diga se pode existir desgraceira maior do que chegar ao vestiário de natação molhada em cima de um par de chinelos molhados, com o cabelo todo desgrenhado, com o rosto todo marcado dos óculos e ainda ter que pegar a sacola, botar a sacola em cima de um banco, abrir a sacola, retirar os saquinhos plásticos para guardar o maiô encharcado junto com a touca e o óculos, pegar a nécessaire, sair equilibrando toalha, xampu, sabonete e condicionador até o box, sempre pisando naquele chinelo nojento molhado, tomar banho na companhia de fios de cabelos de terceiros, recolher sabonete, condicionador e xampu, secar um por um com a toalha, se enrolar na tolha, voltar pingando até o armário em cima daquele chinelo nojento molhado, abrir o armário, abrir a sacola, guardar o xampu, o condicionador e o sabonete dentro da nécessaire, retirar o pente, desembaraçar o cabelo cuidando para não deixar fios caírem no chão, passar hidratante na volta dos olhos, sérum facial, creme com proteção solar, hidratante corporal, vestir a roupa toda amassada dentro da sacola, sentar no banco com o pé ainda molhado em cima daquele chinelo nojento com fio de cabelo de terceiros grudados na sola, secar dedinho por dedinho, colocar o sapato, secar o chinelo, ensacar o chinelo e terminar a maratona botando os bofes para fora do calorão que sai daquela quantidade de chuveiros quentes e secadores ligados. 
Me diga: pode existir desgraceira maior?!
  • Tenha coragem para as grandes adversidades da vida e paciência para as pequenas, e quando tiver cumprido laboriosamente sua tarefa diária vá dormir em paz. Deus está acordado. (Victor Hugo).