Marie Kondo, a guru japonesa da arrumação, tem muito a ensinar

Marie Kondo é uma celebridade internacional. Uma guru quando o assunto é organização. Figurinha constante na lista de mais vendidos do New York Times e da Amazon, a japonesinha mignon, meio envergonhada, de voz quase infantil que não sabe falar uma palavra em inglês, comemora um feito inversamente proporcional ao seu estilo: mais de dois milhões de livros comercializados ao redor do mundo.

O principal deles, “A Mágica da Arrumação”, lançado no Brasil pela editora Sextante, transformou KonMari (como ela é chamada) em estrela absoluta no Japão e no resto do mundo. Diz a especialista:

– Arrumar a casa não tem nada de prosaico. É uma decisão capaz de revolucionar nosso estilo de vida e mudar nosso modo de pensar. Ao organizar seus pertences, a pessoa reencontra seu foco e faz as pazes com ela mesma.

p22-odonoghue-marie-kondo-b-20141012-332x499MARIE KONDO
A japonesinha mignon é uma gigante em arrumação da casa e da vida

Com um método simples e eficaz, Marie mostra que ter uma casa bem arrumada influencia positivamente em todos os aspectos da vida – inclusive o trabalho e as relações familiares. Em vez de basear-se em critérios vagos, como “jogue fora tudo o que você não usa há um ano”, o método KonMari é fundamentado no sentimento da pessoa por cada objeto que possui.

O ponto principal da técnica é o descarte. Para decidir o que manter e o que jogar fora, você deve segurar os itens um a um e perguntar a si mesmo: “Isso me traz alegria?”. Só deve mantê-lo se a resposta for “sim”.

Em “A Mágica da Arrumação”, ela oferece pílulas rápidas como “livros que você pretende ler um dia” equivale a “livros que você nunca vai ler” e “desfaça-se dos manuais de instrução, pois eles não servem para nada”. O grande trunfo de Marie Kondo é associar sentimento às coisas, vender de forma inspiradora a ideia de que organização faz bem para o corpo e a alma.

– O espaço onde você mora afeta seu corpo – argumenta.

magica-498x499A MÁGICA DA ARRUMAÇÃO
Milhões de livros vendidos em todo o mundo

Marie Kondo é obcecada pelo assunto desde os cinco anos. Enquanto as amigas brincavam no parque, ela preferia organizar os livros na estante. A partir dos 15, já estudava seriamente métodos de organização de ambientes. Iniciou a carreira como consultora particular. Hoje vive com a agenda lotada. Viaja os cinco continentes arrumando casas e escritórios de clientes e dando conselhos práticos para aqueles que querem acabar com a bagunça mas não sabem por onde começar. Inspirada pela doutrina oriental do feng shui, garante que exercitar o desapego e a organização traz a felicidade.

– Dediquei quase 80% da minha vida a este assunto, portanto sei que organizar a casa é transformador.

Leia a entrevista com ela!

Por que é importante aprender sobre arrumação e por que não sabemos fazer isso por simples intuição?
É possível que algumas pessoas tenham essa capacidade natural, mas minha experiência mostra que a maioria não sabe colocar ordem nas coisas. Então, precisam aprender, trabalhar e se esforçar para desenvolver os hábitos corretos. Enquanto uma pessoa não conseguir incorporar esse hábito e desenvolvê-lo ao longo de um determinado tempo, não compreenderá plenamente os benefícios e as vantagens de ser organizada. Ser organizado é tanto um hábito quanto uma habilidade.

imagesISSO ME TRAZ ALEGRIA
Um guia ilustrado do primeiro livro, “A Mágica da Arrumação”

No Brasil, as pessoas altamente organizados são muitas vezes vistas como “obsessivas”. Você acha que a maneira como a pessoa lida com a organização, tanto da casa quanto da mente, está relacionada com a cultura de cada país?
Certamente, algumas pessoas são mais obsessivas com a organização – e esta característica, quando muito intensa, pode levá-las a querer forçar outras pessoas a mudar seus hábitos. Cada cultura tem sua sociedade específica, mas a maioria das pessoas, independentemente do país, não tem o hábito da arrumação e da organização desenvolvido. Precisam aprender. Acredito que é possível ser organizado e “normal”.

marie-kondoMARIE KONDO EM ATENDIMENTO DOMICILIAR A UMA CLIENTE
Viagens pelos cinco continentes para ajudar as pessoas a organizar a vida

Por que temos ligações emocionais com objetos?
Muita gente relaciona objetos com pessoas ou lugares onde os receberam. Isso cria uma ligação emocional – e é muito normal. Mas eu gostaria de perguntar a essas pessoas se este determinado objeto realmente lhes proporciona alegria ainda hoje. Se não, o melhor a fazer é agradecer ao objeto o importante papel que desempenhou em sua vida e livrar-se dele. Quando você agradece a um objeto, reduz muito a culpa que sente por desfazer-se dele. Experimente! Além disso, sempre peço aos meus leitores que compreendam que a alegria em torno de um presente é mais frequentemente sentida por quem dá do que por quem recebe. O objetivo de um presente se cumpre na hora em que o recebemos. Quando você começa a pensar em presentes dessa forma, fica muito mais fácil se livrar daquilo que não faz sentido em sua vida.

Um critério que você ensina em seu livro é decidir o que deve e não deve ser descartado de acordo com o que fala ao coração. Só que as pessoas que acumulam uma grande quantidade de coisas, certamente vão usar a mesma tática para manter quase tudo. Como não cair nessa mesma armadilha?
É preciso segurar cada peça de roupa nas mãos. Quando tocamos uma roupa, o corpo reage – e reage de forma diferente de acordo com a peça. Pode parecer estranho até você experimentar. Quando você pratica o meu método por um tempo, você torna-se capaz de determinar o que realmente desperta alegria em você. Então, não vai mais se deixar ser enganada e manter coisas que não fazem mais sentido. Invariavelmente, não irá acumular muita coisa.

Devemos sempre agradecer também aos objetos que usamos, mas que vamos nos desfazer. Isso evita culpas e preocupações e ajuda para que a gente concentre energia naquilo que realmente desperta alegria e sentido em nossas vidas.

Qual é a relação entre o nosso ambiente e nossas emoções? Você acredita que as casas têm energia?
A casa arrumada contribuiu para uma mente mais calma e organizada. Quando o ambiente ao redor é organizado, nossas mentes conseguem focar melhor vários aspectos de nossas vidas. Nos tornamos mais capazes para os desafios diários. Não sei se a própria casa tem energia, mas certamente o ambiente no interior de uma casa pode criar energia positiva ou negativa, sim.

Por que é importante ter gratidão para com os objetos que usamos?
Quando temos gratidão, nós valorizamos os objetos e usamos com mais cuidado e respeito. Então, a vida útil deles é maior, já que são capazes de nos proporcionar prazer e, assim, fazer com que não tenhamos vontade de descartá-los e trocá-los por outro, o que influencia também na nossa economia. Devemos sempre agradecer também aos objetos que usamos, mas que vamos nos desfazer. Isso evita culpas e preocupações e ajuda para que a gente concentre energia naquilo que realmente desperta alegria e sentido em nossas vidas.

marie-kondo-fran-dornellasESTILO MARIE KONDO
Só vale a pena guardar aquilo que realmente for usado ou que tenha valor sentimental

10 MANDAMENTOS DA GURU

1. Arrume tudo de uma vez.
Organizar a casa é promover uma revisão do estilo de vida e do nosso jeito de pensar. Isso requer uma ruptura radical. Acreditar que se pode arrumar uma gaveta por vez, empurrando o restante da tarefa com a barriga, é uma armadilha que leva à frustração.

2. O primeiro passo é descartar.
As pessoas guardam coisas na ilusão de que serão usadas um dia ou por preguiça de avaliar se são relevantes. Reúna todos os itens parecidos, como roupas e livros, e faça uma limpeza sem dó: não raro, 60% daquilo que acumulamos é inútil

3. Jogue fora tudo que não traz alegria.
Só vale a pena guardar aquilo que realmente for usado ou tem um valor sentimental de fato. Sabe aquela blusa que você ganhou, mas não gosta muito e só mantém no guarda-roupa por pudor em se desfazer? Perca o temor: é já para o lixo (ou a doação).

4. Separe as coisas por categoria.
Um erro comum é distribuir itens do mesmo tipo _ como roupas, livros ou papéis _ por vários cômodos e armários. Organizar tudo por categoria permite ter uma noção global dos pertences e evita o surgimento de novos focos de bagunça.

5. Dê visibilidade às coisas.
Empilhar roupas e livros é arrumar sem critério: com o tempo, muitos itens sem utilidade acabam esquecidos no fundo das gavetas e estantes. Organize com a lógica de uma biblioteca, fazendo com que todos os pertences fiquem acessíveis e à vista.

6. Deixe itens sentimentais por último.
Começar a arrumação por fotos de família e souvenires amplia a chance de insucesso: as pessoas gastam tempo em considerações emotivas e perdem o foco do essencial. Ataque primeiro os pepinos mais óbvios e volumosos, como as roupas.

7. Evite a intromissão dos parentes.
A presença de mães, avós e irmãos pode ter um impacto psicológico negativo nessas horas: na cabeça deles, pode parecer inadmissível ver você jogando certos itens fora. Muitas vezes, a solidão é a melhor aliada na hora de arrumar a casa.

8. Prefira o silêncio.
Arrumar a casa é, em certa medida, um exercício de revisão interior. Televisão ligada, música alta e conversa fiada abalam a concentração necessária para a tarefa. Marie Kondo recomenda, no máximo, ouvir música instrumental amena _ e em baixo volume.

9. Não compre produtos especiais para organização.
É enganoso achar que a bagunça acabará apenas colocando tudo dentro de caixas divisórias e afins. Se sua casa é desarrumada, esses produtos supostamente milagrosos não serão apenas inúteis: vão se somar à bagunça.

10. No dia a dia, siga um ritual para lidar com os objetos.
Ao chegar em casa, por mais cansado que você esteja, resista à tentação de ir largando as roupas pelo chão e de entulhar o sofá com bolsas e outros itens. Só relaxe depois de colocar cada coisa em seu devido lugar.

O QUE AS PESSOAS FALAM DE MARIE KONDO
Depoimentos de quem colocou a teoria em prática

“Depois que participei do seu curso, pedi demissão e abri meu próprio negócio, algo com que sonhava desde a infância.”

“O curso me fez enxergar as coisas de que eu precisava e que não precisava. Então descobri que não precisava do meu marido e me divorciei.”

“Desde que organizei meu apartamento, consegui aumentar consideravelmente as vendas na minha loja.”

“Com a casa organizada, meu marido e eu passamos a nos dar muito melhor.”

“É impressionante constatar como o simples fato de jogar algumas coisas fora me fez mudar tanto.”

“Finalmente consegui emagrecer três quilos.

 

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Mari Kalil

Mari Kalil

Sou escritora, jornalista, colunista da Band TV e Band News FM e autora dos livros "Peregrina de araque", "Vida peregrina" e "Tudo tem uma primeira vez". Sou gaúcha, nasci em Porto Alegre, vivo em Porto Alegre, mas com os olhos voltados para o mundo. Já morei em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Barcelona. Já fui repórter, editora, colunista. Trabalhei nos jornais Zero Hora, O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil; nas revistas Época e IstoÉ e fui correspondente da BBC na Espanha, onde cursei pós-graduação em roteiro, edição e direção de cinema na Escuela Superior de Imagen y Diseño de Barcelona. O blog Mari Kalil Por Aí é direcionado a todas as mulheres que, como eu, querem descomplicar a vida e ficar por dentro de tudo aquilo que possa trazer bem-estar, felicidade e paz interior. É para se divertir, para entender de moda, de beleza, para conhecer lugares, deliciar-se com boa gastronomia, mas, acima de tudo, para valorizar as pequenas grandes coisas que estão disponíveis ao redor: as coisas simples e boas.

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  • Meu pai, meu norte, minha serenidade, minha calmaria, meu aconchego, meu alicerce, minha certeza, minha paz, minha alma. Meu baba, minha estrutura, minha vida. ❤️
  • À sombra dos Trompetes dos Anjos. #angelstrumpet #gettygarden #gettymuseum
  • Sob a luz do entardecer no Píer de Santa Monica, a confiança de que está tudo em seu devido lugar. ✨ #sunshine #vibration #california #bepositive
  • Foco, força, fé e meus dois anjos da guarda. #baba #mami #bepositive
  • No ventre de uma mãe, havia dois bebês. 
Um perguntou ao outro: “Você acredita em vida após o parto?" O outro respondeu: “É claro! Tem que haver algo após o parto. Talvez nós estejamos aqui para nos preparar para o que virá mais tarde. “Bobagem", disse o primeiro. “Que tipo de vida seria esta?". O segundo disse: “Eu não sei, mas haverá mais luz do que aqui. Talvez nós poderemos andar com as nossas próprias pernas e comer com nossas bocas. Talvez teremos outros sentidos que não podemos entender agora." O primeiro retrucou: “Isto é um absurdo. O cordão umbilical nos fornece nutrição e tudo o mais de que precisamos. O cordão umbilical é muito curto. A vida após o parto está fora de cogitação." O segundo insistiu: “Bem, eu acho que há alguma coisa e talvez seja diferente do que é aqui. Talvez a gente não vá mais precisar deste tubo físico". O primeiro contestou: “Bobagem! E além disso, se há realmente vida após o parto, então, por que ninguém jamais voltou de lá?". “Bem, eu não sei", disse o segundo, “mas certamente vamos encontrar a Mamãe e ela vai cuidar de nós." O primeiro respondeu: “Mamãe? Você realmente acredita em Mamãe? Isto é ridículo. Se a Mamãe existe, então, onde ela está agora?" O segundo disse: “Ela está ao nosso redor. Estamos cercados por ela. Nós somos dela. É nela que vivemos. Sem ela este mundo não seria e não poderia existir." Disse o primeiro: “Bem, eu não posso vê-la. Então, é lógico que ela não existe." Ao que o segundo respondeu: “Às vezes, quando você está em silêncio, se você se concentrar e realmente ouvir, poderá perceber a presença dela e ouvir sua voz amorosa".
✨✨✨
Esta foi a forma com a qual um escritor húngaro explicou a existência de Deus. #amordemae #mamieeu
  • Às vezes, @chico_sperotto consegue me pegar no flagra. #meditandonarede 🙌🏻